Coelho bravo em risco

A abertura do regime geral de caça fica marcada pela preocupação dos caçadores no que respeita às epidemias que estão a afectar o coelho bravo, uma das espécies favoritas da actividade venatória. A doença viral hemorrágica está, segundo a Federação Nacional de Caçadores (Fencaça), a “dizimar a espécie”.

“Daqui a dois ou três anos, se não for encontrada uma solução, possivelmente já não haverá coelhos bravos”, disse ao CM Jacinto Amaro, presidente da Fencaça. Esta doença é altamente contagiosa entre os animais, transmitindo-se quer por contacto directo, quer indirecto, através de roedores e insectos. A mortalidade pode variar entre 50 por cento e 100 por cento. Os coelhos que sobrevivem à doença permanecem como portadores e podem continuar a excretar vírus durante um mês. No entanto, não está em causa a saúde pública, uma vez que a doença não é transmissível aos seres humanos, segundo disse ao CM o bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários, Cardoso de Resende.

O eurodeputado Capoulas Santos, antigo ministro da Agricultura, disse ontem ao CM que serão feitos esforços ao nível das instâncias europeias, mas que o mais importante é os países afectados aproveitarem o Sétimo Programa Quadro para estabelecerem formas de cooperação.

No primeiro dia da abertura do regime geral, o secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Rui Nobre Gonçalves, anunciou em Montemor-o-Novo a reactivação do Conselho Nacional da Caça e da Conservação da Fauna. Deste órgão consultivo farão parte caçadores, representantes das zonas de caça e ambientalistas.

“A doença que está a afectar o coelho será com certeza um dos primeiros temas abordados por este Conselho”, disse Rui Nobre Gonçalves. O Governo quer que todo o território cinegético esteja ordenado até 2009.

Esse ordenamento é também uma das exigências da Federação Nacional de Caçadores e Proprietários (FNCP), que interpôs, na semana passada, uma providência cautelar contra o ministro da Agricultura, o director-geral das Florestas e o ministro da Economia. A Federação requer a suspensão das zonas de caça associativa e turística, cuja actividade se desenvolve em zonas de reserva protegidas.

“O actual sistema de ordenamento condiciona milhares de caçadores, que têm de pagar elevadas quantias aos gestores das zonas de caça”, disse ao CM Eduardo Biscaia, secretário-geral da FNCP.

ESPÉCIES

PERDIZ VERMELHA

A perdiz vermelha é, a par do coelho, a espécie mais apreciada pelos caçadores pelo seu comportamento perfeito para a prática desportiva da caça. Existe em abundância e é utilizada em várias especialidades culinárias.

FAISÃO

O faisão, pela sua beleza, é muitas vezes cosiderado um troféu de caça. É bastante apreciado na gastronomia e é muito utilizado em exercícios e caça com aves de rapina. Não é tão comum como a perdiz.

JAVALI

O javali já chegou a estar ameaçado de extinção mas hoje quase se tornou uma praga para os caçadores, devido à sua quantidade. É caçado para fins gastronómicos e para equilibrar os ecossistemas.

RAPOSA

A raposa é caçada para não desequilibrar o ecossistema e permitir a caça das outras espécies cinegéticas. A tradição das batidas a este animal vem dos países anglo-saxónicos, mas é pouco comum no nosso país.

APONTAMENTOS

HEMORRÁGICA VIRAL

Esta doença que afecta os coelhos nos países do Sul da Europa reconhece-se por pequenas hemorragias no nariz ou em outros orifícios naturais. Não é transmissível ao ser humano, não pondo em causa a saúde pública.

TRÊS DETIDOS

A GNR deteve ontem três homens por caça ilegal na zona da Benedita, às 04h00. Andavam com holofotes numa carrinha de caixa aberta, de onde disparavam depois de cegarem os coelhos com a luz.

FERIDO POR ENGANO

Um acidente de caça fez ontem um ferido ligeiro em Casais Brancos, Peniche. Um homem de 40 anos foi atingido nos pés, por engano, quando andava a caçar numa vinha, às 10h10.

Fonte: Correio da Manhã

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