Os novos códigos de barras são um passo evolutivo ao fornecer mais dados, como a validade e o lote, numa maior gama de produtos, como uma simples maçã Ocupam menos espaço e dão muito mais informação. Os novos códigos de barras, prometem, não uma revolução, mas antes uma grande evolução para os fabricantes, retalhistas e consumidores.
Considerados símbolos da massificação e da globalização, os códigos de barras actuais permitem identificar um produto em qualquer ponto do mundo e saber quem o produziu, mas pouco mais do que isso. Agora, a partir de Janeiro de 2010, período a partir do qual os novos códigos, denominados GS1 DataBar, poderão ser utilizados, os produtos vão poder incluir muito mais dados, como as datas de validade dos produtos.
O responsável pela Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA), Pedro Queirós, fala de um “salto qualitativo”, já que um produto caducado não irá passar da caixa para a casa dos consumidores. Da mesma forma, ficam incluídos no código de barras outras informações, como os lotes a que pertencem, além de permitir controlar todo o seu percurso.
Com esta capacidade de identificação e de rastreabilidade passará a ser muito mais fácil fazer a recolha de produtos danificados e impedir que sejam consumidos. E, ao mesmo tempo que fornece mais informação, pode ser também utilizado em produtos de dimensão reduzida, como uma simples maçã, o que até agora não acontecia.
Helena Figueira, da área de logística da Nestlé Portugal, destaca que a principal vantagem é, precisamente, o facto de facilitar o reconhecimento de dados de “produtos de difícil identificação”, como “os que têm peso variável, produtos de dimensões reduzidas com dificuldades de espaço e cuja forma ou configuração não possibilita a leitura de todos os dados”. Também os produtos a granel, joalharia e cosméticos passam a poder comunicar de forma mais eficaz e completa com as máquinas de leitura automática de informação.
Para Silvério Paixão, responsável da área de codificação da GS1 Portugal, entidade sem fins lucrativos responsável no mercado nacional pelo sistema internacional de identificação e codificação de produtos, os primeiros a utilizar esta nova ferramenta deverão ser os que estão ligados aos produtos frescos.
A utilização do GS1 DataBar (composto, por exemplo, por dois blocos de barras, um por cima de outro) não é obrigatória, tal como não é o actual código de barras, mas a sua importância fará com que haja uma introdução gradual no mercado. José Rousseau, director-geral da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), diz que o ritmo dependerá “da capacidade de resposta dos fornecedores”. Já o dirigente da FIPA, Pedro Queirós, estima que “o mercado irá conduzir à sua generalização em 2014”, e que os dois tipos de códigos de barras irão coexistir. Essa é, aliás, a opinião de Silvério Paixão, ao afirmar que “a médio/longo prazo o tradicional irá diminuir substancialmente a sua presença, mas haverá nichos, que não necessitam de mais informação, onde irá continuar presente”.
Neste momento, as empresas ainda estão a pensar na melhor forma de lidar com a novidade tecnológica, e como a poderão potenciar no futuro. A responsável da Nestlé, Helena Figueira, destaca que, não obstante os benefícios, o GS1 DataBar “exigirá às organizações adaptações, ou mesmo mudanças, quer de tecnologia quer de processos”.
Para a FIPA, os investimentos serão recuperados pela nova capacidade de gestão de stocks e diminuição de perdas. O desafio, diz Pedro Queirós, é “evitar a existência de diferentes requisitos” solicitados pelos retalhistas, como o tamanho das etiquetas, que dificultam o papel dos fabricantes.
Fonte: Anil
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