O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, advertiu hoje em Roma que o mundo tem de aumentar a produção de alimentos em 50 por cento até 2030 para fazer face à procura crescente.
O responsável discursava em Roma na cimeira promovida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que decorre até quinta-feira, para tentar encontrar uma primeira resposta coordenada para o problema que ameaça aumentar a fome no mundo.
Ban Ki-moon disse perante cerca de 50 chefes de Estado e de Governo que os países têm de minimizar as restrições à exportação e os impostos sobre as importações para aliviar a crise do preço dos alimentos que tem provocado a fome e motins em vários países.
Pediu também aos países participantes na cimeira para não se “deixarem tentar por políticas alimentares que empobreçam os [países] vizinhos”.
O Presidente da República italiana, Giorgio Napolitano, abriu esta cimeira sobre Segurança Alimentar, durante a qual os líderes analisarão os efeitos da espiral do aumento de preços dos produtos agrícolas e os efeitos das alterações climáticas na segurança alimentar.
Napolitano afirmou que para superar a actual “crise dramática” de aumento do preço dos produtos alimentares e garantir uma perspectiva de segurança alimentar não se pode confiar na capacidade de reequilibro do mercado.
“O carácter dramático da crise não pode ser ignorado por ninguém, bem como as consequências para os países pobres”, disse Napolitano perante representantes da maior parte dos 193 países membros da FAO.
Saudando a “forte participação dos chefes de Estado e de governo”, o Presidente italiano sublinhou a necessidade de “intervenções no quadro do sistema da ONU para fazer face à crise”.
Nesta reunião, Portugal está representado pelo ministro da Agricultura português, Jaime Silva.
A escassez de água, as alterações climáticas, o aumento das necessidades energéticas e o crescimento da população são alguns dos problemas que estarão em análise no encontro, onde vão participar, entre outros, os presidentes de França, Brasil, Argentina, Bolívia, Nicarágua e Egipto e os primeiros-ministros de Itália, Espanha e Japão.
Para o director-geral da FAO, Jacques Diouf, a única forma de sair da crise é aumentar a produção agrícola, sobretudo nos países mais pobres, nomeadamente através do aumento das ajudas financeiras prestadas pelos os estados ricos, que deverão atingir os 30 mil milhões de dólares por ano.
Fonte: Agroportal
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