Cientistas criam vacas transgénicas que podem ser imunes à BSE

Eliminando o gene que comanda a produção de priões, o agente infeccioso das encefalopatias espongiformes, espera-se poder eliminar o mal do gado.

Cientistas dos Estados Unidos e do Japão conseguiram produzir uma dúzia de vacas geneticamente modificadas para ficarem livres do gene que produz a proteína infecciosa implicada na doença das vacas loucas. Sem esta proteína, que está também na origem de outras formas de encefalopatias espongiformes, como a nova variante da doença de Creutzfeldt-Jakob nos humanos, as vacas ficam imunes à doença, diz a equipa.

Sem o gene que comanda a produção das proteínas priões anormais, as vacas não contraíam a doença. Pelo menos os tecidos do cérebro de dois desses animais transgénicos não deram sinais de ser ficado infectados, quando os cientistas os expuseram a priões, em pratinhos de laboratório.

“Este trabalho é um grande passo em frente para o uso de biotecnologia de uma forma que pode beneficiar os consumidores”, disse Barbara Glenn, da Organização da Indústria de Biotecnologia dos EUA, que inclui a empresa que financiou esta investigação, publicada na revista Nature Biotechnology.
Algumas das nove vacas transgénicas que ainda não foram abatidas estão a ser injectadas com tecidos de animais com a encefalopatia espongiforme bovina (BSE), para ver se serão mesmo imunes. Os resultados só devem ser conhecidos no final deste ano, ou daqui a dois anos anunciou a empresa Hematech, do estado do Dakota do Sul. A doença pode levar esse tempo a manifestar sintomas no gado.

A equipa de James Robl, da Hematech, começou por recolher algumas células da pele de vacas normais, nas quais desactivou o gene que comanda a produção de priões. Depois, essas células modificadas foram usadas para criar embriões clonados com os genes modificados. Assim nasceram 12 vacas transgénicas e clonadas.

Mas o processo é tudo menos simples: anualmente, esta empresa implanta cerca de 15.000 embriões clonados em 4000 vacas, e a grande maioria não se desenvolve (a taxa de sucesso da clonagem de vacas é de cinco por cento). Mas muitas dessas gravidezes que não chegam a termo servem para recolher células para investigar novos tratamentos para humanos – tal como as vacas transgénicas e clonadas podem servir para compreender as encefalopatias espongiformes e aprender a tratá-las ou a evitá-las.

Não é provável que cheguem vacas transgénicas imunes à BSE ao mercado brevemente: para além de ainda não ser garantido que o método funciona, nunca nenhum animal transgénico foi autorizado a ser usado para consumo humano. Apenas algumas plantas, como a soja ou o milho, já são utilizadas.

Fonte: Público

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