Cientistas Ajudam Agricultores a Usar Técnicas mais Sustentáveis

Cinquenta explorações agrícolas portuguesas estão a usar práticas mais sustentáveis no âmbito de um projecto liderado pelo Instituto Superior Técnico (IST) que pretende valorizar os produtos e serviços ambientais que prestam, disse à Lusa o coordenador da iniciativa.

O projecto ExtEnSity (Sistemas de Gestão Ambiental e de Sustentabilidade na Agricultura Extensiva), que será apresentado publicamente na quinta-feira, começou a ser desenvolvido em 2003 e visa melhorar o desempenho económico, social e ambiental das explorações agrícolas, e apoiar os agricultores na adopção de práticas sustentáveis.

As práticas sustentáveis assentam, segundo o coordenador do projecto, Tiago Domingos, na promoção de pastagens semeadas permanentes, ricas em leguminosas, e nas sementeiras directas.

No caso das pastagens, os terrenos são semeados com uma mistura de sementes com predominância de leguminosas (várias espécies de trevos) e gramíneas, com vantagens a nível da alimentação dos animais e do enriquecimento do solo.

Tiago Domingos explicou que este tipo de pastagens segue “uma dinâmica natural, renovando-se de ano para ano” e proporciona aos ruminantes uma alimentação rica em proteínas, graças às leguminosas, e em energia, fornecida pelas gramíneas.

Ao mesmo tempo, promove-se a biodiversidade já que com as várias espécies de trevos que são semeadas o solo adapta-se mais facilmente à grande diversidade de condições do clima mediterrânico e a pastagem é mais duradoura.

“A estratégia é semelhante à dos mercados financeiros. Tal como nestes, o ideal é ter um portfolio de produtos para reagir às oscilações dos mercados, nas pastagens o ideal é ter um portfolio biológico que se adapte facilmente às diferentes condições”, explicou o investigador.

Este tipo de pastagens tem também reflexos positivos para o ambiente.

“As leguminosas retiram azoto da atmosfera e fornecem-no às plantas. É uma forma de produzir um adubo natural e sem custos”, adiantou o professor do IST.

“Quando morrem, as plantas e as raízes ricas em azoto, enriquecem o solo com matéria orgânica e fornecem este gás às gramíneas, que não conseguem fixar o azoto, mas são muito ricas em energia”, acrescentou.

A sementeira directa é outra das práticas que está a ser promovida nas explorações que aderiram ao projecto.

Neste caso, o objectivo é fazer com que os agricultores abandonem a tradicional lavoura, inserindo directamente as sementes, sem revolver e misturar o solo.

“A sementeira directa é uma operação mais barata e não destrói o ecossistema do solo, ajudando a desenvolver a matéria orgânica”, justificou o responsável do ExtEnSity.

Além de apoiar os agricultores na gestão das suas explorações, o objectivo é garantir também que estas “boas práticas” sejam remuneradas.

“Os aderentes vão ter benefícios em termos da valorização dos produtos comercializados, como, por exemplo, carne de borrego e de vaca ou queijo, e dos serviços ambientais que prestam, a nível da fixação de carbono e da protecção do solo e da biodiversidade”, disse Tiago Domingos.

Redução nos custos operacionais (através da melhor utilização de recursos e de melhorias técnicas na gestão), melhores preços ao consumidor (através da divulgação para os consumidores), melhoria nos subsídios agro-ambientais e receitas de outras actividades na exploração (nomeadamente turismo), são alguns dos possíveis benefícios.

O projecto abrange 60 mil hectares de explorações, desde a Serra da Estrela ao Baixo Alentejo e envolve 12 parceiros de diferentes áreas, incluindo o Ministério da Agricultura, Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP), DECO, Liga para a Protecção da Natureza (LPN) e laboratórios de investigação.

Fonte: Lusa

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