Churrascos de carne são factor de risco para o cancro do estômago

O consumo exagerado de grelhados de carne é um factor de risco para o cancro do estômago, que mata em média oito portugueses por dia, alertou hoje um especialista num congresso em Almancil, Algarve.

A par do aumento da ingestão de grelhados, o gastrenterologista David Marques, do Hospital dos Capuchos, Lisboa, observou que a manutenção do consumo de enchidos e carnes fumadas e o exagero no sal também são responsáveis pela forte incidência do carcinoma em Portugal.

O médico falava à Agência Lusa à margem de um fórum sobre gastrenterologia e patologia respiratória, num hotel em Vale Garrão, próximo de Almancil.

Sublinhando que se trata do país europeu com mais mortes por cancro no estômago, o clínico observou que as taxas de mortalidade – 2.900 óbitos em 2005 – se têm vindo a manter desde então.

“Não subiram mais devido ao uso do frigorífico”, acentuou, garantindo que se o hábito do churrasco, sobretudo de carnes vermelhas, se alargasse entre os portugueses para além dos fins-de-semana, o número de casos dispararia.

Contrapôs aos hábitos importados dos EUA a dieta mediterrânica, “à base de azeite, alho e refogados não muito puxados”, sustentando que o crescimento do número de cancros nas últimas duas décadas se deveu precisamente ao abandono dessas tradições dietéticas.

O consumo excessivo de sal foi apontado por David Marques como um dos grandes factores indutores da doença, pelo seu papel na conservação das bactérias que propiciam o aparecimento do carcinoma.

Como caminho para a prevenção, apontou o consumo de saladas – bem lavadas, pois as bactérias presentes nos adubos potenciam a doença -, verduras e legumes, por serem alimentos que anulam os efeitos das nitrosaminas, compostos químicos de características cancerígenas.

Na sua prelecção matinal, David Marques apontara a ingestão de couves como um excelente meio de prevenção do cancro do aparelho digestivo.

O diagnóstico tardio é outro dos factores que leva à excessiva mortalidade em Portugal, alertou, sublinhando que só se curam 30 por cento dos casos diagnosticados já na fase em que apareceram os primeiros sintomas.

A insistência no diagnóstico precoce é pois uma das recomendações dos clínicos da área, que alertam para a necessidade de generalizar as endoscopias à população.

No fórum de hoje, participou Francis Mégraud, um dos principais especialistas do mundo na bactéria “Helicobacter pylori”, que infecta os estômagos de mais de metade da população portuguesa.

Em declarações à Lusa, o especialista francês – da Universidade de Bordéus – associou a incidência da bactéria ao subdesenvolvimento, observando que ela é diminuta nos países europeus desenvolvidos e atinge toda a população de alguns países do III Mundo, apontando o caso de África.

“Nos nascidos em 1987, por exemplo, a incidência só atinge 30 por cento”, disse, garantindo que um por cento dos casos de infecção degenera em cancro do estômago.

De pessoa para pessoa, a bactéria – que só foi descoberta há 18 anos – transmite-se através da saliva, do vómito e das fezes.

Além do cancro do estômago, está comprovada a relação da bactéria com outras patologias, como a gastrite crónica activa, doença ulcerosa duodenal e o linfoma de MALT do estômago.

Fonte: Agroportal

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