Os legumes que começaram a desabrochar há 15 dias a bordo do satélite chinês “Shijian-8” regressaram ontem à Terra, informou a agência oficial chinesa Xinhua.
O “Shijian-8” descolou no passado dia 9 do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no deserto do sudoeste da China, com 215 quilos de sementes de legumes, frutas, cereais e algodão a bordo, o maior carregamento deste tipo desde 1987, numa missão destinada exclusivamente à investigação agrícola.
Os cientistas esperam que, após terem sido expostas à radiação cósmica, e em gravidade zero, estas espécies sofram mutações e produzam “magníficas frutas e legumes”, entre os quais a couve chinesa tradicional, para posteriormente serem transplantadas na Terra.
As autoridades chinesas têm feito diversas experiências com sementes desenvolvidas desta forma durante anos, e já obtiveram colheitas de trigo e arroz mais abundantes após terem sido expostas no espaço.
O satélite “Shijian-8” enviou a partir da sua órbita imagens digitais e m câmara lenta sobre a germinação destes vegetais, que foram estudadas atentamente pelo Instituto de Fisiologia Vegetal e Ecologia e pelo Instituto de Ciências Biológicas de Xangai, que dirigem a investigação.
Um funcionário do ministério da Agricultura indicou que foi pedido a estes institutos que plantem as sementes em terrenos elevados para melhor desenvolver estas espécies “de alta qualidade e eficiência”.
Trata-se do nono satélite deste tipo que a China envia para o espaço desde 1987, e várias espécies de vegetais já passaram por esta experiência desde então.
Os novos tipos de cultura desenvolvidos ocuparam durante os últimos quatro anos uma superfície de 567.000 hectares, com uma produção de 340 milhões de quilos de cereal e uma incidência directa no Produto Interno Bruto (PIB).
Os Estados Unidos e a Rússia eram até ao momento os únicos países que tinham desenvolvido experiências deste tipo, pelo que a China decidiu juntar-se também ao clube das potências tecnológicas num programa espacial que culminou com a sua primeira missão espacial tripulada, em 2003.
O país asiático sofre de uma enorme escassez de terra cultivável, dado que esta representa apenas 14 por cento do seu território que diminui ano após a no devido à erosão e à utilização desses solos para fins industriais e comerciais.
Fonte: Lusa
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