China condena dois homens à morte no escândalo do leite contaminado

Dois homens que terão estado envolvidos na produção e venda do leite contaminado com melamina foram condenados hoje à morte pela justiça chinesa. Tian Wenhua, a responsável pela empresa de lactícinios, a Sanlu, que esteve no centro do escândalo foi condenada a prisão perpétua. Seis crianças morreram e cerca de 300 mil crianças ficaram doentes nesta crise que abalou o mundo.

A leitura da sentença decorreu à porta fechada e o grupo de familiares que fez questão de estar presente no Tribunal em Shijiazhuang, aguardou na rua pelo veredicto. Duas pessoas chegaram mesmo a ser detidas pela polícia após ter sido divulgado que a presidente da principal empresa de lacticínios envolvida no escândalo iria “apenas” ser condenada a prisão perpétua. “Ela devia ser alvejada. Uma morte por uma morte”, referiu Zhen Shuzhen, uma mulher de 48 anos que terá visto a sua neta morrer, em Junho de 2008, com problemas renais causado pelo leite contaminado, citada pela Reuters.

Tia Wenhua declarou-se culpada pela produção e venda de produtos falsos e foi condenada ainda a pagar uma indemnização de 24.5 milhões de yuan, sendo que o grupo Sanlu vai ter de pagar um total de 50 milhões de yuan (5,6 milhões de euros).

Um dos homens condenados à morte é Zhang Yujin que, entre Outubro de 2007 e Agosto de 2008, terá feito e vendido mais de 600 toneladas de pó que continha melamina. A melamina é usada para disfarçar leite diluído e aumentar artificialmente os níveis de proteínas. O pó foi adquirido por intermediários que fizeram a mistura necessária para disfarçar leite mais fraco e diluído, comprado a agricultores, e que depois foi vendido ao Grupo Sanlu. Um desses intermediários é o outro homem condenado à morte. O produtor de lacticínios terá revendido 230 toneladas de malte misturado com melamina, para outras firmas, em Shijiazhuang e três outras cidades na província de Hebei.

A sessão do julgamento ainda não terminou. Hoje à tarde será lida a sentença para mais 21 arguidos também implicados neste caso. O leite adulterado foi comercializado não só na China, como em vários outros países asiáticos e um pouco por todo o mundo. Durante meses, o grupo Sanlu tentou esconder o caso. Seis crianças morreram com problemas renais e cerca de 300 mil ficaram doentes. Jornais estatais chineses noticiaram que o grupo conhecia o problema desde 2007, mas não agiu. Em Setembro o grupo Sanlu acabou por admitir ter vendido leite em pó com melamina. A 12 de Setembro, o Sanlu – que em parte detido pelo grupo Fonterra, da Nova Zelândia parou a produção, e abriu falência. Tem agora 1100 milhões de yuan de dívida (mais de 114 milhões de euros).

Fonte: Público.pt

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