Os industriais e produtores de tomate portugueses estão preocupados com a invasão no mercado europeu do tomate proveniente da China, país que em cinco anos se transformou no terceiro maior produtor mundial.
Muitos consideram mesmo que a entrada do tomate chinês no Velho Continente constitui uma ameaça ao equilíbrio do preço do mercado situado na ordem dos 45 euros por tonelada.
“Produzem tomate com baixos custos e exportam-no mais barato não só para a Europa como para outros continentes. Se esta situação não for controlada pode provocar a diminuição do preço por tonelada”, frisou ontem ao CM Miguel Cambezes, secretário-geral da Associação dos Industriais de Tomate (AIT).
Durante um seminário dedicado ao sector integrado na IV Feira Nacional do Tomate, certame que termina hoje em Mora, Alentejo, este responsável alertou os produtores nacionais para a concorrência nos próximo anos.
“A China é um novo parceiro e em 2005 produziu 2,8 milhões de toneladas (mais 1,6 milhões do que a produção nacional). Este ano deverá produzir cerca de 4,5 milhões de toneladas”, disse.
Acima da produção chinesa estão apenas os Estados Unidos (Estado da Califórnia) e Itália, países com produções acima dos cinco milhões de toneladas.
Em Portugal, segundo Miguel Cambezes, a produção tem vindo a manter os mesmos números nos últimos anos, cerca de 1,2 milhões de toneladas por campanha.
“Para aumentar a nossa produção, manter os preços e competir com os outros países produtores de tomate vamos ter de investir em produtos de valor acrescentado. Já temos as compotas, os sumos, o tomate com cebola e orégãos, o tomate frito com alho, mas temos de apostar em muitos mais produtos”, sublinhou.
‘INVENTAR NOVOS PRODUTOS’
Os portugueses consomem apenas cinco por cento do tomate concentrado produzido no País. “Gostamos mais do tomate fresco e não podemos, por isso, contar com o mercado português”, disse Miguel Cambezes. Este responsável da AIT acrescenta que os produtores têm de apostar em novos mercados, como o Japão, e na criação de novos produtos. “O futuro passa pela inovação e invenção no sector. Já foi experimentado o aproveitamento das fibras das peles e das sementes do tomate, mas não foi rentável e sabe-se, por exemplo, que o tomate é a fonte alimentar mais rica de licopeno, um antioxidante que previno o cancro da próstata. No futuro o tomate poderá ser adicionado a outro produto”, frisou.
SECTOR
PRODUÇÃO
O tomate é a principal produção horto-industrial do País. O sector conta com 32 organizações, 712 produtores, dez unidades industriais e ocupa 14 500 hectares de regadio no Sul e Centro do País. Na última campanha foram produzidos 1,2 milhões de toneladas de tomate.
CONSUMO
Portugal exporta 95 por cento do tomate transformado, sobretudo para os países do Norte da Europa. Os portugueses, segundo a Associação dos Industriais do Tomate, consomem apenas cinco por cento do que é produzido. A aposta passa agora pelo mercado japonês.
NEGÓCIO
O sector da transformação de tomate é responsável pela manutenção de 4500 postos de trabalho directos e mais de mil indirectos. Na última campanha o volume de negócios atingiu os 140 milhões de euros, dos quais 130 milhões foram provenientes das exportações.
MERCADO
Em 2004 foram produzidos em todo o mundo 34,5 milhões de toneladas de tomate para um consumo de 29,5 milhões. No ano passado os profissionais do sector adequaram a produção ao consumo e produziram 29,8 milhões de toneladas.
Fonte: Correio da Manhã
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