China Apela ao Fim dos Subsídios Agrícolas

O primeiro-ministro chinês Wen Jiabao apelou hoje aos países desenvolvidos para que acabem com os subsídios à agricultura, como forma de relançar as conversações da Ronda de Doha, interrompidas em Julho.

Wen, que falava aos jornalistas após um encontro em Pequim com o director-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, disse também que a China está “preocupada” com o impasse nas conversações de Doha e apelou ao seu pronto reinício.

“A finalização da Ronda de Doha da OMC é muito importante para o estabelecimento de um sistema comercial multilateral justo e aberto, e é uma condição necessária para o desenvolvimento estável do comércio mundial”, disse Wen Jiabao no seguimento do encontro com Pascal Lamy.

“Os países desenvolvidos devem liderar as negociações, fazendo concessões substanciais, tais como o corte de subsídios agrícolas e tarifas,” considerou o primeiro-ministro chinês.

Wen, que disse que a China ” apoia o sistema de comércio multilateral e opõe-se ao proteccionismo comercial,” assumiu o compromisso, perante a OMC, para tentar reiniciar as conversações de Doha.

Lamy, segundo um comunicado publicado na página do Ministério do Comércio chinês na Internet, realçou o papel importante da China para o reatar das conversações.

“Todos estão conscientes do papel essencial da China na Ronda de Doha. A China é parte activa das negociações e esperamos que possa ter ainda um papel mais importante,” disse o director-geral da OMC, durante um encontro com Bo Xilai, ministro chinês do Comércio.

Bo Xilai defende no encontro que as negociações da Ronda de Doha deverão centrar-se mais no crescimento dos países em vias de desenvolvimento, e menos em questões de proteccionismo e acesso a mercados.

“Só se alterarmos os desequilíbrios entre os membros desenvolvidos e em vias de desenvolvimento da OMC poderemos atingir o objectivo de um desenvolvimento sustentável e saudável no comércio mundial,” afirmou o ministro do Comércio.

Pascal Lamy, que suspendeu a Ronda de Doha em Julho passado, depois do fracasso dos ministros de Comércio na tentativa de resolver as diferenças sobre os subsídios e tarifas agrícolas, chegou hoje a Pequim para uma visita oficial, que deverá levar o responsável a Xangai, o centro financeiro e comercial da China e a um fórum de investimento na cidade de Xiamen, no sudeste do país.

A Ronda de Doha, lançada na capital do Qatar em 2001, tem como objectivo a assinatura de um tratado comercial global, que assegure uma redução nas barreiras comerciais que permita aos países mais pobres fazer crescer as suas economias através da exportação.

Fonte: Lusa

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