Cereais vão ficar ainda mais caros

O tempo da comida barata acabou”. A frase é do ministro da Agricultura que participou ontem num seminário sobre os aumentos dos preços nos mercados dos cereais que chegou a uma conclusão generalizada: os preços dos cereais não vão baixar, muito pelo contrário. Os especialistas apontam para novos aumentos.

Jaime Silva considera que a situação dos aumentos dos preços alimentares ‘era previsível’ e aponta responsabilidades à União Europeia. ‘Isto foi procurado. A Europa tem obrigação de olhar para aquilo que fez e está a fazer’, refere o ministro da Agricultura. O responsável considera que ‘a União Europeia não pode estar no fio da navalha entre aquilo que produz e consome’.

No seminário, organizado pela Ordem dos Engenheiros, os números revelam que o pior ainda não passou. Para Raúl Jorge, do Instituto Superior de Agronomia, ‘os preços continuarão voláteis e nunca regressarão aos níveis dos praticados na última década’. O especialista aponta para um aumento no custo do trigo na ordem dos 40% até 2017 – ano em que os mercados deverão estabilizar – devido à procura desta matéria–prima para a produção de biocombustíveis.

Portugal não está imune aos aumentos dos preços, como demonstrou Cristina Vasques, do Gabinete de Planeamento e Políticas do Ministério da Agricultura que aponta para o facto do trigo mole panificável, usado no pão, ter registado um aumento no preço de 91% em apenas quatro anos.

O ministro assumiu os ‘momentos difíceis’ do sector mas apelou a uma maior competitividade da agricultura portuguesa, com um aumento de produção. Jaime Silva garante que os agricultores portugueses este ano já aumentaram a produção em cerca de 30%. ‘Produzimos um milhão de toneladas de cereais e podemos chegar facilmente ao milhão e meio’, afirma o ministro.

PORMENORES

EXCEDENTES

A União Europeia deverá, pela primeira vez em anos, ter 39 milhões de toneladas em excedentes de cereais.

MODERNIZAÇÃO

A Europa vai reunir-se a curto prazo para decidir medidas reformadoras da Política Agrícola Comum (PAC), naquele que é considerado um momento crítico.

Fonte: Correio da Manhã

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