Os cereais de intervenção da Hungria vão começar a chegar a Portugal em Dezembro para minimizar os efeitos da seca, admitindo-se que possam ser importadas cerca de 120 mil toneladas avançou ontem ao DN o ministro da Agricultura, Jaime Silva.
Segundo o ministro, no início do próximo ano o País comprará também cerca de 500 mil toneladas de milho nos Estados Unidos. A tutela assegura que não vai haver concorrência com os produtores nacionais, porque quando o milho estrangeiro chegar ao mercado, toda a produção estará escoada.
Jaime Silva, que falou ao DN durante um périplo pelo Alentejo em torno do sector dos vinhos, ressalvou que será o Instituto de Garantia Agrícola (INGA) a definir as necessidades do mercado português em termos cerealíferos, não sendo de excluir a possibilidade de Portugal vir a importar uma quantidade superior à prevista. A Comissão Europeia aceitava que a Hungria vendesse até 400 mil toneladas de cereais.
De acordo com o ministro, os cereais de intervenção que Portugal solicitou a Bruxelas são um instrumento adicional que visa impedir o aumento dos preços das rações, garantindo uma certa estabilidade ou até mesmo alguma descida no preço da alimentação dos animais, que foram o sector mais afectado pela seca. Nesta altura, o preço é inferior EM 17% ao de 2004.
No entanto, Jaime Silva sustentou que não podia ter accionado imediatamente a importação cerealífera, apesar da falta da chuva, porque Portugal ainda registou “uma produção substancial de alguns cereais forrageiros”, sobretudo milho, cuja produção ascendeu às 580 mil toneladas. Esses cereais chegaram ao mercado em Outubro e serão escoados no prazo de quatro a cinco meses.
Jaime Silva explicou ainda que, se tivesse “inundado” o mercado nacional de milho no Verão – como queriam os agricultores -, a um preço mais baixo que o praticado pelos produtores nacionais, estaria a “liquidar os rendimentos das pessoas que produziram milho”.
Fonte: DN
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