Centro de Estudos propõe IGP para garantir qualidade do azeite alentejano

O Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo (CEPAAL) vai propor a criação de uma Indicação Geográfica Protegida (IGP) para garantir a qualidade do azeite produzido na região e lançar a marca “Alentejo”.

“Queremos uma plataforma legal que garanta a sustentabilidade dos produtores alentejanos e a qualidade demarcada e reconhecida do azeite produzido no Alentejo”, explicou hoje à agência Lusa Henrique Herculano, do CEPAAL.

A IGP é um certificado atribuído a produtos cuja reputação ou determinadas qualidades estão relacionadas ou podem ser atribuídas ao meio geográfico de determinada região.

Com a IGP, “mais abrangente que a Denominação de Origem Protegida (DOP)”, explicou o responsável, “será possível abranger, num mesmo certificado de protecção, as diferentes características do azeite produzido no Alentejo e que não estão protegidas por DOP”.

Actualmente, acrescentou, apenas as características específicas dos azeites do Norte Alentejano, Alentejo Interior e de Moura estão certificados com DOP.

Para “sustentar” o pedido da IGP com o necessário Caderno de Especificações, disse Henrique Herculano, o CEPAAL está “a estudar, em laboratório, as características específicas e diferenciadoras do azeite do Alentejo e que o ligam à região”.

Para adquirir uma IGP, tem que se demonstrar que pelo menos uma parte do ciclo produtivo do produto tem origem na região que lhe dá o nome.

Por outro lado, para associar o produto à “reputação” da região é preciso provar que algumas das características do produto estão relacionadas com os solos, clima, variedades vegetais (como é o caso do azeite) ou animais ou ao saber fazer das pessoas da região.

Após a conclusão do estudo, prevista para o “final do Verão”, adiantou Henrique Herculano, o CEPAAL vai entregar o pedido de IGP ao Instituto de Desenvolvimento Rural e Hidráulica, entidade que gere os certificados europeus de protecção agro-alimentar.

Se a IGP for reconhecida pelo Estado português e pela Comissão Europeia, explicou Henrique Herculano, o CEPAAL será a entidade gestora da IGP do azeite do Alentejo.

Desta forma, acrescentou, o CEPAAL ficará responsável pelo controlo, certificação e verificação do cumprimento das regras de produção do azeite do Alentejo constantes do Caderno de Especificações, que está na base da IGP.

A partir daqui, adiantou o responsável, o CEPAAL irá criar a marca de azeite registada “Alentejo”, que “irá agrupar os azeites produzidos na região, que cumpram as regras constantes no Caderno de Especificações e que tenham algumas das características específicas para serem reconhecidos como azeites do Alentejo”.

Com a marca “Alentejo”, acrescentou, “será possível promover, de forma mais efectiva, o azeite produzido na região”.

A exportação, salientou, é outra das “metas” do CEPAAL, sendo, para tal, “necessário participar em feiras internacionais para dar a conhecer o azeite do Alentejo e encontrar novos mercados”.

Segundo Alexandre Herculano, a olivicultura está a tornar-se “uma das principais actividades da agricultura no Alentejo”, que é “a maior área geográfica do País em olival (número de hectares e oliveiras) e a segunda maior, logo atrás de Trás-os-Montes, ao nível da produção”.

“Grande parte da cota nacional de 30 mil hectares de olival encontra-se no Alentejo, onde é produzido cerca de 40 por cento do azeite português”, disse.

O CEPAAL, constituído por entidades públicas e privadas ligadas à fileira oleícola no Alentejo, é uma associação sem fins lucrativos criada em 1999 para “potenciar o estudo e promoção do azeite, constituindo um instrumento fundamental de cooperação e desenvolvimento da respectiva fileira”.

Fonte: Confragi

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