Cenário pessimista para a azeitona

Apesar de Portugal ser o quarto maior produtor de azeite a nível comunitário, e de oferecer condições consideradas ideais para o olival, por beneficiar de clima mediterrânico, há quem anteveja o abandono da actividade, o que implicará um reforço das importações para satisfazer a procura do mercado interno e externo.

Aníbal Martins, presidente da Associação Interprofissional da Fileira do Azeite, entende que só é rentável um olival que esteja preparado para o regadio, com capacidade para 300 a 350 oliveiras por hectare, e que garanta a produção de 10 toneladas por hectare.

Reunidas essas condições, é de esperar que o produtor consiga compensar os custos da apanha e, se assim for, Aníbal Martins acredita que a olivicultura possa “uma cultura rentável mesmo sem subsídios”.

O problema – prossegue – é que a maior parte do olival português assegura uma média de 800 toneladas por hectare, obtidas a partir de apenas 50 a 70 oliveiras por hectare, com uma função que “muitas vezes é só para ornamentar a paisagem”.

Até aqui, os agricultores recebiam uma ajuda em função da azeitona que produziam e apanhavam. Mas, desde o dia 1 de Janeiro de 2006, é diferente. A União Europeia foi ver a produção de 1999, 2000, 2001 e 2002, aplicou uma média e um histórico a cada agricultor e agora vai passar a pagar uma verba única, igual em todos os anos, a cada agricultor, independentemente daquilo que produza. No novo contexto, deixando de existir a obrigatoriedade de produzir, acredita que possa haver abandono da actividade e um declínio na produção, com natural impacto nos preços.

Aníbal Martins nem sequer acredita no potencial acréscimo produtivo que Portugal poderá usufruir com os 30 mil hectares de olival a que está autorizado por Bruxelas – e cujo plantio efectivo só pode ser verificado após o próximo dia 30 de Abril, quando termina o prazo para que os olivicultores plantem as oliveiras a que se candidataram com direito a ajudas comunitárias. “Já ponho em causa se os 30 mil hectares serão plantados ou não”, disse.

Fonte: JN

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