O CDS/PP manifestou hoje a sua preocupação com o futuro das unidades de transformação de tomate, uma das indústrias agro-alimentares estratégicas para Portugal, se Bruxelas avançar com o desligamento dos apoios relativamente à produção deste legume.
Em declarações à agência Lusa, o coordenador do Conselho Económico e Social do CDS/PP, José Castro Coelho, defendeu que não pode ser posta em causa a sobrevivência de “uma fileira estratégica que funciona e foi pioneira em Portugal de avanços tecnológicos” no sector agrícola.
A proposta da Comissão Europeia para a revisão da Organização Comum do Mercado (OCM) horto-frutícola, actualmente em discussão, aponta para a adopção do regime de pagamento único de subsídios, desligado da produção.
Se esta medida for aprovada, o responsável do CDS/PP, tal como o próprio ministro da Agricultura, Jaime Silva, e os representantes da indústria transformadora do tomate, esperam o abandono da produção por parte dos agricultores.
Para o CDS/PP, até agora, a posição do ministro tem sido correcta, ao opor-se às alterações propostas, mas espera que Portugal consiga explicar a importância da indústria do tomate, tanto para a agricultura, como para as exportações, aos restantes Estados membros e “fazer valer a sua posição”.
O partido liderado por Ribeiro e Castro vai “explicar o problema que é estratégico para Portugal” junto de Bruxelas e fazer o possível para que os responsáveis comunitários compreendam o que está em causa.
A indústria portuguesa do tomate utiliza na quase totalidade das suas necessidades matéria-prima nacional, por isso, se a produção cessar, a sua actividade está em risco.
“Se o regime de pagamento único for adoptado para a cultura do tomate muitos agricultores abandonam a cultura e a indústria deixa de ter matéria-prima”, salienta Castro Coelho.
“É mais um sector do regadio em perigo, depois da beterraba”, frisou, lembrando que esta agro-indústria representa mais de cinco mil postos de trabalho e 93 por cento da sua produção se destina à exportação.
Entre as empresas a trabalhar na transformação de tomate, algumas são multinacionais que, se a proposta de desligamento dos apoios for para a frente, vão deslocalizar as suas unidades para países onde tenham garantia de fornecimento de matéria-prima, chama ainda a atenção Castro Coelho.
Na opinião do responsável do CDS/PP “esta é mais uma dificuldade para a agricultura dos países mediterrânicos”.
“Com as últimas alterações da Política Agrícola Comum (PAC) as culturas mediterrânicas deixam de ter espaço e passam a ser cada vez mais inviáveis”, acrescentou.
As propostas da Comissão Europeia visam mais a competitividade e a agricultura biológica, mas Castro Coelho defende que esta forma de cultivar “não é solução para grandes áreas e grandes produtores”, não resolvendo os problemas dos agricultores.
A visão de futuro deste responsável do CDS/PP, a confirmar-se a tendência na agricultura europeia, é de a Europa “ficar cada vez mais dependente de países terceiros na área alimentar”.
Segunda-feira, em Bruxelas, onde participou numa reunião com os ministros da Agricultura da União Europeia, Jaime Silva disse que a estratégia de Portugal para a negociação da nova OCM das frutas e legumes é tentar negociar formas de transição para o sector do tomate industrial.
Na proposta da Comissão Europeia, cuja discussão começou agora e vai durar, pelo menos, até Abril, para além de um desligamento parcial, ou de um total faseado, o ministro português quer ver adoptadas medidas de apoio à indústria transformadora.
“O desligamento de um ano para o outro leva ao abandono total da produção”, salientou o ministro.
Se tal acontecer, estará em risco a laboração de seis fábricas, com 4.500 postos de trabalho directos, cuja produção é maioritariamente exportada.
Fonte: Agroportal
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