Castanha: Produção em Valpaços sobe 80 por cento em relação a 2005

A produção de castanha em Carrazedo de Montenegro, Valpaços, vai subir este ano cerca de 80 por cento em relação a 2005, devido às temperaturas favoráveis registadas no Verão, disse ontem fonte da associação de agricultores local.

O presidente da Associação Regional dos Agricultores das Terras de Montenegro (ARATM), Flávio Sousa, disse à agência Lusa que a produção do ano passado naquela zona, que pertence à denominação de origem da Padrela, foi reduzida devido à falta de água.

“Este ano deveremos colher cerca de 10 milhões de quilos de castanhas de boa qualidade, mais 80 por cento do que no ano passado e mais 20 por cento comparativamente à produção de um ano normal”, salientou.

Flávio Sousa referiu que os castanheiros desta zona são ciclicamente atingidos por alguns problemas que afectam a produção de castanha, designadamente a tinta e o cancro, doenças que atingem estas árvores.

Segundo aquele dirigente, as doenças são uma “grande preocupação” porque a maior parte das famílias de Carrazedo de Montenegro se dedica quase exclusivamente à cultura da castanha.

O progresso das manchas de cancro, uma doença que aparece nos ramos e troncos das árvores, pode ser travado através de uma poda bem feita.

Por causa disso, a ARATM criou uma equipa de podadores que se vão deslocar às zonas de produção para podar as árvores.

“Temos de incentivar os agricultores a aderir a esta técnica, mas é uma tarefa difícil porque a maior parte deles já têm muita idade”, frisou.

Por sua vez, a doença da tinta faz apodrecer a raiz do castanheiro e já foi responsável por um grande decréscimo da sua área de produção.

Flávio Sousa referiu que uma “grande percentagem” da área de castanheiros de Carrazedo de Montenegro está infectada por aquelas doenças.

A produção de castanha representa em Portugal 17 por cento da exportação em frutos e um volume de negócios de cerca de 10 milhões de euros.

Segundo Flávio Sousa, a maior parte da produção de Carrazedo de Montenegro é exportada para o Brasil, França e Itália.

As três denominações existentes em Trás-os-Montes e Alto Douro, designadamente Santos da Lapa, Terra Fria e Padrela, correspondem a 85 por cento da produção de castanha nacional.

Para promover e divulgar a castanha, a ARATM vai realizar, no próximo fim-de-semana, em Carrazedo de Montenegro, a Feira da Castanha, iniciativa que conta com a apoio a Câmara de Valpaços e da Junta de Freguesia de Carrazedo de Montenegro.

No recinto da 10ª edição da Castamonte, onde se espera venham a passar cerca de 10 mil pessoas, estarão presentes 60 expositores de produtores de castanha.

O facto de o consumo de castanha em Portugal ser ainda sazonal motivou a organização a apresentar novas formas de utilização deste produto, designadamente através de receitas culinárias, como, por exemplo, rojões de porco com castanha, sopa de castanha ou bolinhos de castanha.

Entre 20 e 22 de Junho de 2007 está já prevista a realização do II Congresso Ibérico do Castanheiro na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real.

O castanheiro é a espécie base de um importante sistema agro-florestal na Europa Mediterrânica e a principal fonte de rendimento em muitas localidades do Interior Norte e Centro de Portugal e de Espanha, onde pode ser considerado uma cultura sobrevivente à actual crise do sector agrícola.

A organização do evento pretende que este constitua mais um “instrumento de valorização e sustentabilidade deste recurso endógeno, que fomenta a biodiversidade e melhora a qualidade ambiental e paisagística do território nestas regiões de ambos os países”.

Fonte: Agroportal

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