Carrinho das compras biológicas continua a encher

Na hora de encher o carrinho de compras, os consumidores têm cada vez mais opções biológicas. Algumas cadeias de distribuição criaram já marcas próprias “bio”. Os produtos biológicos estão, pois, a conquistar espaço nas prateleiras dos supermercados, numa tendência de crescimento que apenas é atenuada pelo abrandamento da economia.

“Os clientes procuram cada vez mais produtos saudáveis, mas a decisão de comprar continua condicionada pelo factor preço e, para alguns artigos, a diferença é significativa”, comenta João Machado, responsável pelas superfícies da cadeia Intermarché de Mafra e Malveira. É o caso do bife de novilho, que pode triplicar de preço quando a carne é biológica, ou do leite, que sobe de 0,67 para 1,39 euros quando a oferta da marca é “bio”.

Talvez por isso, a oferta em todas as cadeias é mais visível nas frutas e legumes, com destaque para produtos como os morangos, tomate, alface e ervas aromáticas. Em geral, são também estes artigos os campeões das vendas “bio”. Mas a gama dos hortofrutícolas abrange muito mais produtos e proveniências diversas, por vezes até distantes, dos tomates da Holanda às maçãs da África do Sul ou às laranjas da Nova Zelândia.

Nas superfícies da cadeia Auchan, por exemplo, a fruta representa metade das vendas de produtos biológicos, com destaque para os morangos, que “começaram a ser comercializados em força em Fevereiro” e somam já 41 por cento das vendas da secção. É um desempenho que o grupo justifica pelo facto de o preço de venda ao público “ser próximo do praticado no morango convencional”.

No entanto, no caso da Sonae Distribuição (Modelo Continente), o “ranking” de produtos mais vendidos é liderado pela carne, leite, iogurte, ovos e tofu. Com uma oferta abrangente na área biológica, do camarão de Madagáscar ao pão e, até, aos têxteis, onde apresenta uma linha de artigos de vestuário para criança em algodão orgânico, a direcção do grupo refere “taxas de crescimento muito interessantes em todas as categorias, e naturalmente superiores à média dos respectivos segmentos”. Assim, a Sonae tem já uma gama de produtos biológicos de marca própria e começou a desenvolver acções específicas nesta área, como a Semana Bio e a criação de zonas para expor estes artigos.

É uma tendência que a Jerónimo Martins – Pingo Doce e Feira Nova – também segue, tendo lançado em Julho de 2007 uma marca própria de produtos biológicos, num total de 30 referências.

Em geral, estas cadeias coincidem no perfil do cliente-tipo dos produtos biológicos: pessoas bem informadas, jovens e com poder de compra. Coincidem, também, no diagnóstico de que esta é uma tendência com maior expressão no universo dos produtos dietéticos.

Uma das explicações será o facto de que os clientes desta linha estão naturalmente receptivos à dinâmica dos produtos saudáveis e biológicos, dos cereais ao pepino e seitan. “Mas aqui a diferença de preços também não é tão relevante como a que separa os produtos “bio” e os convencionais”, comenta João Machado, convicto de que “a crise trava um pouco o consumo dos produtos com mais valor acrescentado na área alimentar porque é preciso comer bem, mas também é preciso dinheiro para fazer compras”.

Fonte: Anil

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