Carne importada faz concorrência ao borrego alentejano

Em época de Páscoa, quando o borrego é “rei” à mesa dos alentejanos, a carne congelada, importada, a preços baixos, de países como a Nova Zelândia, Reino Unido e Austrália, está a prejudicar os criadores da região.

“As vendas de borrego para a Páscoa estão a correr bem e têm saído mais animais das explorações (do Baixo Alentejo) do que no ano passado, mas a preços muito baixos”, disse hoje à agência Lusa o presidente da Associação de Criadores de Ovinos do Sul (ACOS), Manuel Castro e Brito.

Apesar de associar criadores de ovinos de todo o Sul do país, o Baixo Alentejo é a área de maior influência da ACOS e onde se concentram a maior parte das explorações associadas.

“Este aumento das vendas não é sinónimo de lucro para os criadores de ovinos da região”, lamentou o responsável, afirmando que “o rendimento do sector está a sofrer, porque as explorações são obrigadas a vender os borregos a preços abaixo dos custos de produção”.

Segundo Castro e Brito, tal situação é o “reflexo de um mercado muito agressivo e marcado pela concorrência de carne congelada importada, a preços baixíssimos”, dando como exemplo países como o Reino Unido, a Austrália e Nova Zelândia.

“São países que conseguem exportar carne a preços muito reduzidos, porque têm ajudas dos respectivos governos, que negoceiam e têm influência nos mercados europeus”, justificou.

Por outro lado, acrescentou, “no Baixo Alentejo, como em todo o país, os principais operadores no mercado, que abastecem o consumidor final, para conquistar clientela, querem é vender carne barata, independentemente da qualidade”. Uma “estratégia” que, de acordo com Castro e Brito, reflecte “a postura da maior parte dos consumidores”.

“Quando vão comprar carne, as pessoas, que infelizmente não sabem o que comem, olham apenas para o preço e não querem saber da origem, nem da qualidade”, lamentou.

No que toca à mesa dos alentejanos, os pratos à base de carne de borrego dominam na altura da Páscoa, um período aproveitado para, em muitos concelhos, promover semanas gastronómicas temáticas nos restaurantes locais.

É o caso de 70 restaurantes da região de Beja cujas ementas, a partir de sexta-feira, durante a Semana Gastronómica do Borrego, vão servir pratos com carne daqueles animais confeccionada de “mil e uma maneiras”.

A iniciativa, promovida pela Região de Turismo Planície Dourada (RTPD), envolve, até dia 12, restaurantes de todos os concelhos do distrito, do interior de Barrancos à praia de Vila Nova de Milfontes (Odemira).

O presidente da RTPD, Vítor Silva, justificou hoje à Lusa a iniciativa com o objectivo de “potenciar o património gastronómico do Baixo Alentejo”, que considerou “o produto estratégico do turismo na região e o que mais atrai turistas”.

Salientando que esta semana gastronómica, entre todas as que a RTPD já organizou, é a que conta com maior número de restaurantes, Vítor Silva acrescentou que a iniciativa visa ainda “incentivar os empresários do sector para que mantenham nos seus cardápios práticos típicos da região e confeccionados segundo o receituário alentejano”.

Anualmente, a RTPD promove também outras duas semanas gastronómicas: uma dedicada ao porco, que se realiza durante a época das tradicionais matanças no Alentejo, e outra à base de pratos de caça, na abertura da época venatória.

Vítor Silva adiantou ainda que a RTPD está a preparar uma quarta semana gastronómica que vai decorrer este ano pela primeira vez, durante o Verão, e será dedicada aos pratos “frescos”, como a tradicional vinagrada alentejana.

Também Reguengos de Monsaraz (Évora) está a apostar, até domingo, numa Semana Gastronómica do Borrego, com pitéus em 25 restaurantes do concelho, numa iniciativa promovida pela Câmara Municipal.

Fonte: Confragi

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