A Leicar – Comércio de Bovinos S.A. expressou ontem o seu total acordo com a suspensão das importações de carne bovina brasileira, imposta pela União Europeia (UE), por considerar que esta “não respeita as normas comunitárias”.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Leicar, José Oliveira, afirmou que a carne brasileira constitui uma “concorrência desleal”, quer ao nível da qualidade, quer ao nível dos preços.
“O Brasil não cumpria com as condições sanitárias exigidas e os preços praticados em Portugal eram muito baixos”, acrescentou.
Com a comercialização da carne bovina brasileira em Portugal, “os produtores estavam a perder dinheiro” e os preços de mercado “não eram rentáveis”.
Para o presidente da Leicar, o embargo imposto pela UE irá permitir a melhoria dos preços, bem como a reposição dos efectivos conseguidos anteriormente pelos produtores de carne portugueses.
José Oliveira minimizou ainda os prejuízos que poderá sofrer o sector, por haver “carne suficiente no país para satisfazer as necessidades”.
Em 2006, Portugal importou 25 mil toneladas de bovino fresco desossado do Brasil, segundo dados do Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e das Pescas.
A Leicar – Comércio de Bovinos S.A , fundada em 1986 e sedeada na Póvoa do Varzim, é uma de três empresas pertencentes ao grupo Leicar.
A UE suspendeu hoje a importação de carne bovina brasileira devido à insuficiência de garantias sanitárias e de qualidade dadas pelo maior país sul-americano.
Segundo fonte do Ministério da Agricultura, esta decisão da União Europeia não produz efeitos sobre as carnes que já se encontram a caminho da comunidade europeia e que podem dar entrada até 15 de Março.
Brasília tinha sido avisada em Dezembro de 2007 de que, a partir de 31 de Janeiro deste ano, a importação de carne bovina seria suspensa, caso não fosse exclusivamente proveniente de pastos seleccionados que respeitassem as regras sanitárias em vigor na UE.
Em Novembro de 2007, veterinários europeus que visitaram o Brasil identificaram “várias deficiências graves nos sistemas de verificação e nas condições sanitárias”, nomeadamente em três estados brasileiros atingidos por um surto de febre aftosa.
O Brasil é o primeiro exportador mundial de carne bovina, com 2,3 milhões de toneladas por ano – 4.500 milhões de dólares (3.000 milhões de euros) em 2007 – um terço do total mundial, mas o conflito com a UE já se arrasta há dois anos, depois de o alarme ter sido dado pelo Reino Unido e a Irlanda.
Fonte: Agroportal
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