Capturas de peixe caíram 13,6 por cento em Portugal

O ano de 2009 foi mau para o sector pesqueiro nacional. As estimativas de desembarques avançadas pela Direcção-Geral das Pescas e Aquicultura apontam para uma redução de 13,6 por cento no volume total de peixe descarregado nos portos nacionais. Um drama para um povo guloso por peixe como o português.

Condições climatéricas menos favoráveis à actividade – rigor do Inverno, principalmente -, redução das quotas de pesca que todos os anos são impostas pela União Europeia para preservar os stocks, desaceleração da produtividade das embarcações são as razões que estão por detrás deste recuo.

O decréscimo de receitas geradas pelo sector não deixará de produzir efeitos nas comunidades locais em que a pesca é, praticamente, o único meio de sobrevivência das famílias – tanto no continente como nas ilhas.

O cenário é inquietante para Portugal. Para o terceiro maior consumidor de peixe de todo o mundo, uma redução de 24 mil toneladas de pescado tem consequências. Cada português come em média, por ano, 59 quilos de pescado. A solução é recorrer à importação de animais frescos, congelados e salgados. As compras ao exterior custaram, no ano passado, mil milhões de euros a Portugal. As receitas provenientes da venda ao estrangeiro ficaram-se pelos 384 milhões de euros, o que deixou o saldo da balança comercial em 616 milhões de euros negativos.

A frota portuguesa pescou, em 2009, 153 mil toneladas de peixe nas águas nacionais, em Espanha e no Norte de África. É um recuo de praticamente 24 mil toneladas face ao ano anterior, que tinha sido um dos melhores da década, mas fica também abaixo das 167 mil toneladas descarregadas nos portos nacionais em 2007.

As embarcações açorianas foram das mais penalizadas pelo mau ano pesqueiro, com um recuo de 18,1 por cento face a 2008, embora em termos absolutos o maior decréscimo venha da frota que opera no Norte de África (-74 por cento). Trata-se, no entanto, de um pesqueiro que assume uma importância residual face ao total de descargas da frota nacional (menos de 200 toneladas para desembarques totais de 152 mil toneladas). Este fraco desempenho fica a dever-se aos obstáculos que as autoridades de Marrocos costumam levantar aos navios europeus que operam nas suas águas ao abrigo de um acordo com a Comissão Europeia. A obrigatoriedade de empregar pescadores locais e de criar empresas de capitais mistos afugentam muitos armadores nacionais.

A sardinha continua a ser a espécie mais pescada pela frota nacional, alimentando o apetite dos portugueses pela espécie e a indústria conserveira, que tem neste produto a sua aposta de combate. No ano passado, foram extraídas 62 mil toneladas nas águas nacionais, mais de um terço do total de capturas, mas a evidenciar mesmo assim uma quebra de 13 por cento. Pior foi o desempenho da cavala, com um decréscimo de 38 por cento face a 2008. O carapau foi, entre as espécies de eleição, a única que cresceu de forma sensível – 17 por cento.

Matosinhos continua a ser o porto com melhor registo entre os 16 espalhados pelo continente. No ano passado, contabilizou descargas de 29 mil toneladas, cerca de um quinto do total nacional. A grande concentração da frota da arte do cerco, que captura sardinha, explica este resultado. Em Peniche, os desembarques ultrapassaram as 19 mil toneladas e na Figueira da Foz chegaram às 14 mil toneladas.

Fonte: Público

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