Cada adulto português bebe cerca de 12 litros de bebidas alcoólicas por ano. Os dados são de 2004, foram ontem divulgados em Bruxelas e colocam Portugal o país em sexto lugar na Europa dos 15, região onde o nosso país lidera a idade mínima permitida para o consumo de álcool. A palma de ouro vai para o Luxemburgo, com 17 litros de vinho, cerveja e bebidas espirituosas sorvidos anualmente.
O trabalho – elaborado pelo Instituto para o Estudo do Álcool, com sede do Reino Unido e que pretende servir de base a uma futura estratégia europeia de redução do consumo – coloca no lugar dos mais “sérios” os suecos e atribui-lhes uns escassos sete litros anuais. E são seguidos dos italianos e dos gregos. Acima de nós, ficam a Áustria, a Alemanha, a França e a Irlanda.
Portugal é ainda citado como um dos países onde aumentou o consumo exagerado de bebidas – o “binge drinking”-, o que é medido pela ingestão de cinco ou mais bebidas alcoólicas num dia, podendo levar ao embriagamento ou à intoxicação. “Há cada vez mais relatos do uso do álcool entre os jovens em países que não estavam habituados a este problema. Tal inclui o aumento do beber exageradamente em Portugal ou do consumo fora das refeições em Itália”, lê-se no estudo “O Álcool na Europa”.
Somos ainda o país com menor idade mínima legal para o consumo de álcool – 16 anos -, contra 18 anos nos restantes e mesmo 20 na Suécia e na Islândia. O álcool e outras drogas são responsáveis, em Portugal, por 16% dos casos de violência doméstica, sabendo-se ainda que 4% dos portugueses ultrapassou em 2004 uma ou mais vezes o limite permitido para conduzir. O estudo aponta ainda o dedo ao “desenvolvimento moderado” de campanhas sobre o consumo.
A Europa é descrita como a região que mais bebe no Mundo e onde o álcool é um dos principais problemas de saúde pública. É responsável por 7,4% das doenças e mortes prematuras na União Europeia (UE), pelo nascimento de 60 mil bebés com baixo peso, por nove milhões de crianças viverem em famílias afectadas pelo álcool e por cerca de dez mil mortes “inocentes”, devido a condutores sob o efeito do álcool. Estima-se que esse consumo “custe” anualmente à Europa 125 mil milhões de euros (650 euros por agregado familiar) devido a doenças, acidentes, ferimentos, crimes ou perda de produtividade.
Fonte: Jornal de Notícias
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