A época de caça aos coelhos e lebres abre oficialmente hoje, um mês antes da data habitual, nas zonas de terreno ordenado. Espera-se contudo que poucos caçadores lhes façam pontaria. Não é que não lhes apeteça, mas a vontade de andar entre silvados, debaixo de sol intenso, à procura deles, é pouca ou nenhuma.
O Governo antecipou o início da caça ao coelho com o objectivo de minorar os efeitos da seca sobre a espécie. Em anos de maior precipitação, a época começava apenas em Outubro, quando a temperatura é branda. O calor não permitirá aos caçadores tirar partido da antecipação. Segundo afirma Jacinto Amaro, dirigente da Federação Nacional das Zonas de Caça Associativa (Fencaça), “a maior parte [das coutadas] não vai abrir a caça ao coelho, ficando-se pela da codorniz”.
Para apanhar coelhos é preciso caminhar à torreira do sol em zonas agrícolas de sequeiro, aproveitando a camuflagem das giestas e outra vegetação rasteira. “Isso é impossível com o calor que se faz sentir”, avalia Jacinto Amaro, notando que mesmo os cães que acompanham os caçadores sofrem e, a determinada altura, desistem da perseguição.
A SÉRIO SÓ EM OUTUBRO
Não se prevê para Setembro precipitação importante ou substancial diminuição da temperatura. Por isso, só no início de Outubro, como seria se não houvesse alteração do calendário venatório, começará de facto a época de caça. Folgam até lá os coelhos e as lebres e saem prejudicadas as codornizes, que preferem as zonas mais húmidas, a proximidade das linhas de água.
Em clara oposição ao dirigente da Federação Nacional de Caçadores e Proprietários (FNCP) (ver texto em baixo) Jacinto Amaro garante porém a abundância e saúde dos coelhos. Segundo explicou, os anos secos são favoráveis à referida espécie sedentária, uma vez que não permitem o desenvolvimento de pulgas e mosquitos, vectores de transmissão de doenças. É o calor associado à humidade que favorece a multiplicação daqueles insectos.
QUEIXA AO MINISTÉRIO PÚBLICO
Eduardo Biscaia, dirigente da Federação Nacional de Caçadores e Proprietários (FNCP) pondera solicitar a intervenção do Ministério Público para que se investiguem alegados casos de tularemia, uma doença grave que pode transmitir-se ao Homem, entre os coelhos. É o último recurso em face da falta de resposta das direcções-gerais de Florestas e de Veterinária aos insistentes pedidos de esclarecimento das circunstâncias em que foram executadas análises aos coelhos e apresentação dos resultados. “Não tivemos qualquer resposta”, indigna-se Eduardo Biscaia, afirmando-se disposto a esperar mais uma semana antes de pedir a intervenção do Ministério Público. O mesmo dirigente, que representa os caçadores do regime livre, denunciou igualmente a entrada ilegal de caça (importada) nas coutadas.
Fonte: Correio da Manhã
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