Uma revista de caça divulgou um catálogo que publicita chamarizes (negaças) para caçar espécies protegidas, como os bufos-reais, mas o anunciante diz que se tratou de um “erro de tradução”.
A denúncia partiu de dois deputados social-democratas que exigiram explicações ao Governo sobre esta matéria, num requerimento dirigido aos ministérios da Administração Interna, da Agricultura e do Ambiente.
No requerimento, os deputados Luís Carloto Marques e José Manuel Ribeiro (PSD) referem que um catálogo da Kettner, distribuído através da revista “Calibre 12” traz informações sobre a comercialização de negaças com fins interditos por legislação nacional e comunitária.
Em causa estão, nomeadamente, duas negaças que imitam o bufo-real: um bufo-real “em plástico vibrante”, “indispensável para a caça” desta ave de rapina nocturna e um bufo-real em plástico “para eliminar os animais indesejáveis”.
“A negaça de bufo-real, foi utilizada para fins cinegéticos, nomeadamente para abate de outras rapinas, já que esta espécie tem a capacidade de gerar irritabilidade noutras aves de presa diurnas, que perante a sua presença tentam afastá-la, facto que origina a aproximação às negaças, sendo nesse momento abatidas a tiro”, explica o requerimento.
Os deputados salientam, no entanto, que o bufo-real é uma espécie que se encontra estritamente protegida por legislação nacional e comunitária, e questionam o Governo sobre as medidas que pretende desenvolver para evitar situações análogas.
Contactado pela Lusa, o administrador da revista Calibre 12 rejeitou quaisquer responsabilidades e afirmou desconhecer o conteúdo do catálogo.
“É um catálogo que foi vendido juntamente com a revista, mas nós não somos responsáveis pelo seu conteúdo”, disse João Capristano.
O responsável da Kettner, por seu turno, declarou que se trata de um erro de tradução, adiantando que em edições anteriores do mesmo catálogo, a negaça é publicitada, mas para a “caça com bufo real”.
Este tipo de caça, segundo Artur Guérin, “praticava-se há muitos anos em Portugal e servia para afugentar algumas aves ou para atrair outras que os caçadores aproveitavam para abater”.
Embora este tipo de caça já não seja autorizada em Portugal, Artur Guérin afirmou que a empresa não pode ser responsabilizada pelo uso que é dado aos seus produtos.
“Esta negaça pode ser usada de várias maneiras. Em Portugal, são vendidos poucos exemplares e servem sobretudo para afugentar as gaivotas”, justificou.
O mesmo responsável adiantou ainda que a Kettner faz catálogos para diferentes países e que os mesmos são traduzidos em várias línguas.
“A Kettner não faz catálogos específicos para Portugal”, frisou.
A Agência Lusa contactou os ministérios da Agricultura e do Ambiente que remeteram para mais tarde esclarecimentos sobre esta questão.
Fonte: Agroportal
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