A doença das vacas loucas foi importada para a Europa através da Grã-Bretanha, em rações para animais e ossos originários do Sul da Ásia, que incluíam restos humanos recolhidos no rio Ganges, revelaram investigadores britânicos.
A teoria agora revelada por Alan Colchester, professor de medicina e ciências da saúde na universidade de Kent, e por Nancy Colchester, da faculdade de medicina e medicina veterinária da uinversidade de Edimburgo, inverte a ordem cronológica da infecção, atribuindo aos humanos o contágio das vacas, e não o contrário.
Num estudo que será publicado sábado na revista The Lancet, os investigadores afirmam que as importações destinadas à alimentação animal começaram nos anos 50 do século XX e duraram até aos anos 70.
Os produtos importados incluíam restos de corpos humanos parcialmente calcinados em cerimónias fúnebres da religião hindu e recuperados nas águas do Ganges, que poderiam ser portadores da doença de Creutzfeld-Jakob, da mesma família que a encefalopatia espongiforme bovina (BSE), mais conhecida como a «doença das vacas loucas».
A BSE foi identificada no gado bovino britânico no final da década de 80 e os cientistas consideram geralmente que a doença se propagou aos seres humanos, sob a forma de uma nova variante da doença de Creutzfeld-Jakob.
Os dois países europeus mais afectados pela doença foram a Grã- Bretanha, com 157 casos, e a França, com 14 doentes registados.
Em Portugal, a doença de Creutzfeld-jakob afecta, em média, 10 a 15 portugueses por ano, mas o primeiro caso provável de contágio através do consumo de carne bovina foi registado em Junho deste ano.
Em Espanha, o primeiro caso foi registado em finais de Julho deste ano, afectando uma mulher de 26 anos.
A doença tem um período de incubação nos humanos que pode chegar aos 20 anos, afectando o sistema nervoso até provocar a morte.
Fonte: Diário Digital
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