Brasil: Reunião do G-20 com actores das negociações da OMC tenta destravar Doha

Representantes dos 23 países em desenvolvimento que integram o G-20 e de outros países estarão reunidos este fim-de-semana, no Rio de Janeiro, com os principais actores das negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O objectivo da reunião, da qual participarão o director-geral da OMC, Pascal Lamy, a representante norte-americana de Comércio, Susan Schwab, o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, e o ministro de Agricultura do Japão, Shoichi Nakagawa, é tentar destravar a Ronda de Doha, suspensa em Julho.

Participam também do encontro grupos de países em desenvolvimento presentes nas negociações da OMC, como G-33, ACP (países da África, Caribe e Pacífico), Caricom (América Central) e países africanos produtores de algodão.

O Brasil, que lidera o G-20 ao lado de Índia e África do Sul, avalia que houve um colapso das negociações em Genebra, mas insistirá com os parceiros na importância de retomar a Ronda de Doha, primeira negociação internacional para o desenvolvimento e liberalização do sector agrícola.

Embora os analistas políticos não acreditem que possam surgir acordos ou uma retoma imediata das negociações, o encontro do G-20, considerado uma mini-conferência ministerial da OMC, é um sinal de que pode ser possível evitar o fracasso da Ronda.

Segundo o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o G-20 vai continuar a reclamar a redução drástica dos subsídios agrícolas concedidos pelos países desenvolvidos, que relutam em fazê-lo sem contrapartidas significativas na área de bens industriais e serviços.

“O G-20 considera que as propostas colocadas na mesa, pelos Estados Unidos, na última reunião, ainda deixam a desejar”, afirmou Amorim.

O comissário europeu de Comércio, antes de viajar para o Brasil, alertou também que a retomada das negociações está nas mãos dos Estados Unidos, pois, sem uma nova proposta de corte nos subsídios agrícolas daquele país, a Ronda de Doha não será reatada.

Mas Mandelson não acredita na reactivação das negociações multilaterais antes das eleições legislativas nos Estados Unidos, em Novembro próximo.

Na última quarta-feira, o ministro de Indústria e Comércio do Reino Unido, Alistair Darling, disse, em Brasília, que, apesar de não acreditar que a reunião do G-20 possa chegar a algum acordo para a retoma da Ronda de Doha, o encontro pode abrir caminhos para solucionar impasses nas negociações.

A reunião de alto nível do G-20 e dos países coordenadores de grupos começa na manhã de sábado, no Hotel Copacabana Palace.

à tarde haverá uma conferência de imprensa dos ministros e uma outra reunião com o director da OMC.

No domingo, o G-20 e os coordenadores dos outros grupos reunir-se-ão, separadamente, com Mandelson, com o ministro da Agricultura do Japão e com Susan Schwab, e depois haverá uma outra conferência de imprensa.

O G-20 é integrado por África do Sul, Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, China, Cuba, Equador, Egipto, Filipinas, Guatemala, Índia, Indonésia, México, Nigéria, Paquistão, Paraguai, Peru, Tailândia, Tanzânia, Uruguai, Venezuela e Zimbabué.

Fonte: Agroportal

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