O Brasil confia que a União Europeia (UE) alargue a lista das fazendas aptas a exportar gado vacum para o bloco europeu, e acha que 300 é um número “ínfimo”, disse segunda-feira o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento brasileiro, Reinhold Stephanes.
O ministro, que participou segunda-feira na reunião do Conselho Superior da Agro-indústria (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de Sâo Paulo (FIESP), esclareceu que o veto da UE ao gado brasileiro “não é um embargo. É apenas uma discussão de normas”.
“O Brasil aceitou as regras do jogo e primeiro tem que cumpri-las. Mas precisamos de acrescentar novos produtores e essa lista”, salientou Stephanes, considerando preferível esperar seis meses para um acordo do que levar o caso aos tribunais da Organização Mundial do Comércio (OMC).
“Todavia – disse – recorrer à OMC só em última instância, pois “enquanto houver uma janela aberta, (…) uma possibilidade de chegar a um acordo, ainda que demore três, quatro, cinco ou seis meses, isso é mais importante do que uma queixa”.
Desde 01 de Fevereiro que a União Europeia começou a aplicar as restrições à importação de carne proveniente do Brasil.
Stephanes está convicto de que na próxima reunião em Bruxelas o número de fazendas autorizadas subirá para 600, defendendo que o Brasil necessita ter “pelo menos 5.000” aptas para “ter densidade para exportar” o produto para a UE, “embora a questão não seja do número mas antes sanitária e de qualidade”.
“Até agora, é uma vitória (dos produtores) irlandeses, pois nós não temos nenhuma doença fatal, como a ´vaca louca´ e não exportamos de zonas com focos de febre aftosa. Mas não estamos numa crise, embora a situação se tenha tornado um pouco mais grave”, salientou.
Stephanes indicou que “o fundamento do embargo é puramente comercial” e explicou que o Brasil tem 2.600 fazendas aptas mas duas mil têm de “corrigir vícios burocráticos” porque lhes faltam selos ou certificados que não infrinjam as normas sanitárias ou técnicas.
Por isso, a lista do Brasil, que será discutida, contempla inicialmente 600 fazendas.
O erro do Brasil, segundo o ministro, “foi aceitar a partir de 2003 as mesmas condições impostas para os produtores irlandeses que tinham a ´vaca louca´(…) O erro foi aceitar sem discussão esse suposto equilíbrio”.
“A UE quer importar carne brasileira, o consumidor europeu quer a nossa carne. O problema é com os produtores”, concluiu.
Para o presidente da Cosag e antecessor de Stephanes no Ministério, Roberto Rodrigues, “o problema é de carácter comercial e uma das soluções passa por uma saída na área fiscal, como a de fixar excepções para os investidores.
“Isto é um caminho. Mas com a UE precisamos de conversar, conversar e convencer”, acrescentou.
Fonte: Agroportal
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