Brasil destina 370ME por ano para desenvolvimento da biotecnologia

O Presidente do Brasil lançou ontem a política de desenvolvimento da biotecnologia, para a qual o governo brasileiro deverá destinar por ano mais de mil milhões de reais (370 milhões de euros) em investimentos de risco.

“A economia brasileira não pode prescindir da inovação científica e tecnológica para acelerar o crescimento. Com a política de desenvolvimento da biotecnologia, o Brasil finalmente consolida sua presença na rota da informação”, afirmou Lula da Silva, durante a cerimónia de lançamento do plano, no Palácio do Planalto.

Instituída para colocar o Brasil, detentor de 20 por cento de toda a biodiversidade do planeta, entre os cinco países líderes na indústria da biotecnologia num período de dez a 15 anos, o plano estabelece como prioritárias as áreas de saúde humana, agropecuária, indústria e meio ambiente e prevê marcos reguladores para o sector.

“A divulgação de uma política de biotecnologia e a clarificação de um marco regulador poderão atrair também capitais estrangeiros, principalmente na área de biocombustíveis”, afirmou aos jornalistas estrangeiros o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

O ministro Luiz Fernando Furlan não soube precisar, entretanto, o volume de investimentos estrangeiros que o governo brasileiro espera captar com a nova política de desenvolvimento da biotecnologia.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Biotecnologia, o sector apresenta uma facturação anual entre 5,4 mil milhões a 9 mil milhões de reais (dois mil milhões a 3,3 mil milhões de euros) e gera 28 mil postos de trabalhos.

A biotecnologia é uma das ferramentas tecnológicas que tem contribuído com a estruturação de novos sistemas económicos e sociais.

É usada, por exemplo, para o desenvolvimento de plantas transgénicas, medicamentos, vacinas, testes clínicos, biocombustíveis, recuperação e tratamento de resíduos, geração de produtos e inovações tecnológicas.

O decreto assinado ontem pelo Presidente brasileiro cria o Comité Nacional de Biotecnologia, que tem participação da sociedade académica e conta com representantes de nove ministérios.

“É um mecanismo dentro do governo que servirá para marcar o compasso das decisões a serem tomadas. Não temos falta de recursos, mas sim falta de conectividade entre os recursos disponíveis e os projectos que possam significar avanços tecnológicos e criação de empregos”, assinalou Furlan.

Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento sairão de fundos sectoriais do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) e pretendem estimular o aumento da eficiência da estrutura produtiva brasileira, a capacidade de inovação das empresas, a geração de negócios e a expansão das exportações.

Segundo dados do governo, há cerca de 1.700 grupos de pesquisas no Brasil que estão a desenvolver pesquisas vinculadas à biotecnologia.

Outro diferencial competitivo do Brasil é a sua rica biodiversidade, com cerca de 200 mil espécies de plantas, animais e microorganismos já registados. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, este número pode chegar a 1,8 milhões de espécies.

Com a nova política de biotecnologia, o governo brasileiro acredita que será mais difícil ter produtos da flora do Brasil patenteados no exterior. A formação de quadros, a melhoria da infra-estrutura nacional e a cooperação internacional são outros eixos da política brasileira de desenvolvimento da biotecnologia.

Fonte: Lusa

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