Brasil: Crise alimentar resulta de “ataque especulativo”

A actual crise mundial de alimentos, com as reservas nos níveis mais baixos dos últimos 30 anos, é fruto de um “ataque especulativo”, disse ontem o representante da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) para América Latina e Caraíbas.

“O mundo tem terra, tecnologia e capacidade para produzir alimentos mas há gente a morrer de fome por causa do ataque especulativo”, declarou José Graziano, ao anunciar a XXX Conferência Regional da FAO para América Latina e Caraíbas, em Brasília, de 14 a 18 de Abril.

Durante a conferência de imprensa no Palácio do Itamaraty, Graziano instou os organismos multilaterais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, para que ajudem a conter esse processo especulativo.

Segundo o representante da FAO, “esta não é uma teoria conspiratória e não há nenhum autor que o planeie a não ser o mercado capitalista”.

“A crise evidencia o mercado como ele é. Há investidores a comprarem duas ou três safras, a apostarem num aumento de preços. E essa crise vai durar porque, vencido o ataque especulativo, é preciso fazer a reposição das reservas”, salientou.

José Graziano afirmou que as causas da falta de alimentos e da alta dos preços são o aumento da procura mundial por géneros alimentícios sem crescimento similar da oferta, afectada por impactos ambientais.

A isso associa-se a questão financeira, como a queda do dólar, e a falta de políticas defensivas de segurança alimentar.

Em relação à crise no Haiti, decorrente da escassez e do aumento de preços dos alimentos, Graziano disse que “não há outro mecanismo no momento a não ser enviar produtos alimentares para o país, embora esta seja apenas uma medida de emergência”.

O ministro brasileiro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, que também participou na conferência de imprensa, destacou que o Brasil vai defender na Conferência da FAO a política dos biocombustíveis.

“O programa do biodiesel é inovador, voltado para a inclusão social e não compete com a produção de alimentos. É possível sim produzir alimentos e combustível “, destacou.

Em Haia, o presidente brasileiro Lula da Silva defendeu ontem um aumento da produção mundial de alimentos mas rejeitou que a subida dos preços dos géneros alimentares esteja relacionada com os biocombustíveis.

“Os pobres começaram a comer”, afirmou Lula da Silva, justificando a pressão sobre os preços dos alimentos.

A FAO vai apresentar na próxima semana, em Brasília, um documento “equilibrado” sobre a questão dos biocombustíveis, segundo avaliação do representante da instituição para a América Latina e Caraíbas.

“O documento vai assinalar a responsabilidade que têm os governos de assegurar a segurança alimentar e também de garantir oportunidades para que os produtores possam usar os biocombustíveis como fonte de renda e de trabalho”, referiu.

A FAO vai divulgar também, nos próximos 15 dias, uma cartilha de políticas públicas, sob o título “Como evitar o pânico”, contendo orientações para os países actuarem na actual crise mundial de alimentos.

Fonte: Agroportal

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