Brasil: Confederação Agricultura defende redução de 75% de todos os subsídios

A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, entidade que representa os produtores rurais brasileiros, defendeu hoje uma proposta de redução de 75 por cento em 15 anos de todos os subsídios e tarifas industriais e agrícolas do mundo.

“É preciso acabar com a fantasia das regras internacionais de comércio”, disse hoje aos correspondentes estrangeiros em Brasília o vice-presidente para Assuntos Internacionais da CNA, Gilman Viana.

Como exemplo de “fantasia”, o representante da CNA citou que os subsídios dos 29 países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) passaram de 305 mil milhões de dólares (258 mil milhões de euros) quando terminou a Ronda do Uruguai (1986) para 345 mil milhões de dólares (292 mil milhões de euros) actualmente.

Gilman Viana defendeu que o Brasil faça concessões nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) para que possa manter a “ambição agrícola”.

O agronegócio responde pela maior fatia do quadro das exportações brasileiras, com as vendas externas que devem atingir 42 mil milhões de dólares (35,5 mil milhões de euros) este ano.

“O Brasil tem que estar preparado para fazer concessões, sem provocar, é claro, desestruturação no sector industrial. Acreditamos que o sector industrial brasileiro tem condições de arcar com uma redução de três por cento em 10 anos”, afirmou.

O representante da CNA reconheceu, entretanto, que o “lobby” industrial ainda é muito forte.

A nova ronda de negociações da OMC será entre os dias 13 e 18 de Dezembro, em Hong Kong, e um novo fracasso seria negativo para o Brasil, avalia a CNA.

O avanço na Ronda de Doha é fundamental para destravar o impasse que envolve os três pilares das negociações agrícolas: acesso a mercados, apoio doméstico e subsídios às exportações.

“A discussão não passa por pedir favor aos países que aplicam os subsídios, mas sim justiça”, assinalou o representante da CNA, destacando que as distorções do comércio internacional precisam ser combatidas.

Gilman Viana lembrou também que a prática dos subsídios torna os produtos mais caros para os seus consumidores, “em benefício dos cofres das nações mais ricas”.

A CNA defende que o Brasil, na liderança do G-20 (grupo de países em desenvolvimento), faça alianças tanto com os Estados Unidos como com a União Europeia.

A ideia é de que, com os norte-americanos, o G-20 pressione por maior acesso a mercados, e com os europeus, fortaleça o combate aos subsídios domésticos.

Nos últimos anos, o agronegócio brasileiro registou recordes de exportações e do saldo comercial, mas já se nota uma redução do ritmo de crescimento, influenciado sobretudo pela valorização do real frente ao dólar.

Este ano, a balança comercial do agronegócio deve registar um saldo de 37 mil milhões de dólares (31 mil milhões de euros), com exportações de 42 mil milhões de dólares e importações de 37 mil milhões de euros.

As vendas para o exterior deverão ter um aumento de oito por cento em relação ao ano passado, bem menor que o crescimento de 27,3 por cento das exportações de 2004 face a 2003.

Para 2006, a previsão da CNA é de manutenção do saldo comercial a ser registado este ano, interrompendo a trajectória de crescimento sucessivo dos últimos anos.

Este cenário poderia mudar, no entanto, se as negociações internacionais possibilitassem maior acesso a mercados.

Fonte: Agroportal

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