Bom ano para a pesca

Armadores e mestres não podem queixar-se de 2009. Bacalhau e sardinha aumentaram lucros

Adelino Vieira, 50 anos, não consegue esconder o cansaço no porto pesqueiro de Aveiro. O mestre da “Jesus nas Oliveiras”, a única traineira de Aveiro, acabou de chegar do mar, após 11 horas de faina.

“Havia pouca sardinha, hoje não deu para as despesas”, comenta. O mestre não se pode queixar de 2009. É das traineiras que mais pesca em Portugal. “A facturação, este ano, deve rondar os 800 mil euros”, revela. Os seus 25 homens “ganham em média, por mês, entre 1000 e 1200 euros”.

O “bom ano” deve-se, explica o mestre, à quantidade da sardinha.

De Setembro a Janeiro, os pescadores vendem a sardinha às conserveiras e às empresas para congelação. “O valor não é muito alto, cerca de 10 euros o cabaz (22,5 Kg), mas se não fossem eles tínhamos de encostar os barcos nestes meses”, diz Adelino. O proprietário da “Jesus nas Oliveiras” prevê que 2010 não seja tão positivo. “A experiência diz-me que vai haver menos sardinha”, afirma. A questão das quotas não se coloca na sardinha mas os valores máximos de pesca são definidos diariamente pelas associações de produtores.

A poucos quilómetros do porto pesqueiro, Silva Vieira, 63 anos, um dos maiores armadores do país, faz contas rápidas aos navios. São 12 que empregam 600 pessoas, pescadores que percorrem os mares à procura de bacalhau (a empresa é responsável por quase 50% do que entra em Portugal), red-fish e solha. Pescado capturado no Canadá, Noruega, Islândia e Maldivas. “O ano de 2009 foi positivo e só não foi melhor devido ao problema que tive com a Noruega, que me multou em 500 mil euros por alegadamente ter pescado acima da quota, o que é falso e, por isso, recorri para os tribunais”, adianta Silva Vieira.

O empresário aveirense vai facturar “10 milhões de euros este ano, mais 20% relativamente a 2008”. Parte do sucesso decorre da baixa do combustível e de ter comprado as quotas de pesca de Cuba e Lituânia. Vieira aguarda pela distribuição das quotas do Canadá, Islândia e Noruega, mas não está muito optimista, apesar de pensar que o acordo entre a União Europeia e a Noruega será algo de inevitável. “Eles precisam tanto de pescar na Europa como nós lá”, lembra.

Fonte: Jornal de Notícias

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