A Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu reuniu, no passado dia 10 de Outubro, com peritos europeus para debater as culturas geneticamente modificadas na União Europeia. A audição pública realizou-se sob o tema “Biotecnologia: Perspectivas e Desafios para a Agricultura na Europa”.
Peritos e eurodeputados debateram, então, o futuro dos transgénicos na agricultura europeia, tendo-se destacado que, apesar dos estudos indicarem que a maioria dos cidadãos é contra os organismos geneticamente modificados, a verdade é que a biologia aplicada à agricultura já tem milénios.
O que não se pode ignorar são as preocupações com eventuais alterações irreversíveis que a biotecnologia cause na biodiversidade e na saúde humana.
Neste contexto, o perito irlandês Ewen Mullins, afirmou que «a maioria dos consumidores tem muita dificuldade em encontrar vantagens nas culturas geneticamente modificadas», lê-se em comunicado do Parlamento Europeu, apesar dos «antigos métodos serem muito menos seguros do que a tecnologia genética actual».
A cientista Malgorzata Korbin, do Instituto de Investigação de Pomologia e Floricultura da Polónia, avançou que a falta de confiança dos consumidores deve-se, em parte, ao «mistério» que os cientistas fazem questão que envolva o seu trabalho nos laboratórios. Os eurodeputados reconheceram que a comunidade científica peca pela falta de transparência e humildade.
Outra das questões debatidas na Comissão de Agricultura foi a coexistência entre culturas transgénicas e culturas convencionais, devido a preocupações com a eventual contaminação de culturas convencionais. Para os eurodeputados, conforme comunicado «é necessário gerir essa coexistência, nomeadamente através do isolamento e de distâncias mínimas entre culturas».
O deputado finlandês Kyösti Virrankoski defendeu que «o Parlamento Europeu não pode enfiar a cabeça na areia. Já consumimos produtos geneticamente modificados e temos que assegurar a continuidade da agricultura na Europa. As culturas geneticamente modificadas são uma ferramenta numa caixa de ferramentas. A investigação torna-se, portanto, vital».
Fonte: Parlamento Europeu
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