A crescente procura de milho para a produção de biocombustíveis pode resultar no aumento do preço dos alimentos, uma vez que o cereal necessário para alimentar gado pode vir a ser canalizado para as necessidades dos biocombustíveis.
O alerta partiu de Lester Brown, um investigador norte-americano co-fundador do Instituto Earth Policy. Para ele, será necessário o dobro do milho previsto pelas autoridades dos Estados Unidos para abastecer gado e biocombustíveis em 2008. Este último sector será responsável pelo consumo de 139 milhões de toneladas de milho.
As previsões da Administração Bush estão muito longe daquele número, tendo apontado o consumo de apenas 60 milhões de toneladas, em 2008, para o fabrico de biocombustíveis. Um dos responsáveis do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, Keith Collins, admitiu que as estimativas industriais neste âmbito estão desadequadas, mas afirmou também que as previsões do Instituto Earth Policy são exageradas.
Lester Brown disse que a procura de milho por parte do sector dos biocombustíveis vai resultar no aumento do preço de produtos como o leite, ovos, carne e queijo, o que poderá voltar-se contra os biocombustíveis quando os consumidores se aperceberem da causa do aumento dos preços dos alimentos.
Além disso, o incremento na utilização de milho para biocombustíveis obrigará a uma redução significativa das exportações de cereais, o que poderá conduzir a instabilidade política e até motins urbanos nalguns países, refere a Associated Press.
Neste contexto, Lester Brown advogou o estabelecimento de um embargo à construção de fábricas de biocombustíveis no sentido de determinar o impacto das já existentes. Outra solução passa por reduzir a necessidade dos próprios biocombustíveis, através de medidas aplicadas ao sector automóvel.
O especialista norte-americano defendeu, por isso, o estabelecimento de medidas que requeiram um aumento de 20 por cento na eficiência dos automóveis no consumo de combustível e que promovam o desenvolvimento e a aquisição de veículos híbridos. Estes passos, a par de apostas na energia eólica, não só reduziriam a necessidade de biocombustíveis como diminuiriam a dependência em relação ao petróleo.
Fonte: Confragi
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