O aumento na produção de biocombustíveis procedentes de cultivos agrícolas pode afectar o cumprimento da meta da ONU de acabar com a fome nos países em desenvolvimento, onde 850 milhões de pessoas não têm comida suficiente, disse uma fonte da Organização das Nações Unidas.
Em entrevista à Reuters, Alexander Mueller, director-geral assistente da Organização para Alimentação e Agricultura (FAO) da ONU, reforçou que a produção de combustíveis a partir da cana-de-açúcar, do milho, da soja e de outras culturas tem vindo a aumentar impulsionada pelos preços altos do petróleo e pelo facto de ser menos prejudicial para o ambiente. Contudo, nasce aqui «um problema completamente novo», realçou, que poderá ter «impacto sobre a questão alimentar no mundo». Mesmo assim, declarou, o aumento da produção de biocombustíveis não afectou o suprimento de alimentos em 2005. «Temos de descobrir como vai ficar a situação daqui a cinco ou dez anos… É preciso fazer muitas pesquisas».
Na opinião do responsável da ONU, apesar de ainda não existirem números concretos ou directrizes claras, por se tratar de um assunto emergente, o crescimento da produção de biocombustíveis pode afectar a oferta de produtos alimentares e também os recursos hídricos. Por isso, acrescentou, é necessário gerir melhor os recursos hídricos para «alimentar todas as pessoas no mundo e produzir energia».
O especialista finalizou o encontro com os jornalistas dizendo que os biocombustíveis são um dos três grandes desafios da agricultura. Os outros dois são as alterações climáticas e a multiplicação da população mundial.
Fonte: Reuters e Confragi
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