Bacalhau: Proposta de proibir pesca no mar do Norte não afecta Portugal

A proposta de proibição de pesca do bacalhau no mar do Norte não deverá afectar Portugal, mesmo que venha a ser adoptada pela União Europeia (UE), disse hoje à Lusa o Director-Geral das Pescas e Aquicultura (DGPA).

O Conselho Internacional para a Exploração dos Mares (ICES) propôs pela quinta vez a proibição total de pesca de bacalhau no Mar do Norte, para evitar o esgotamento dos stocks, mas até agora a UE, que vai decidir as quotas de pescas para o próximo ano em Dezembro, nunca adoptou a recomendação.

Em todo o caso, se a decisão for tomada, Portugal não deverá ser grandemente afectado já que as capturas da nossa frota pesqueira se fazem noutra zona, explicou à Lusa o Director-Geral das Pescas, Eurico Monteiro.

Os nove navios portugueses licenciados para a captura de bacalhau foram autorizados a pescar, em 2006, 2.550 toneladas na Zona Económica Exclusiva da Noruega e 1.650 toneladas em Svalbard, a norte da Noruega, zonas que também estão na mira do ICES.

“O CIEM também propõe uma redução do Total Admissível de Captura (TAC) do bacalhau do Ártico, actualmente fixado em 457 mil toneladas, da ordem dos 30 por cento.

Nesse caso, se a recomendação for adoptada, a nossa frota pesqueira poderá sentir alguns efeitos”, afirmou Eurico Monteiro.

Os efeitos só não serão mais graves porque o bacalhau já não é a principal espécie capturada pela frota portuguesa.

“Actualmente, as pescas no Atlântico Norte são mais diversificadas, com capturas centradas no cantarilho e na palmeta”, adiantou o mesmo responsável.

A diminuição da oferta pode, no entanto, ter implicações no preço do bacalhau, um dos peixes mais apreciados pelos portugueses que se posicionam em terceiro lugar no consumo de peixe “per capita”, a nível mundial.

Segundo dados da Direcção-Geral das Pescas e Aquicultura, o índice de preços ao consumidor não teve oscilações significativas de 2003 para 2004 (baixou dois por cento), e de 2004 para 2005 (subiu 1,3 por cento), mas teve um aumento maior entre 2005 e 2006 (7,5 por cento).

“Os preços reflectem as leis da oferta e da procura. Estas variações podem ter a ver com o facto de haver redução das quotas de captura, mas também pode haver menos procura”, comentou Eurico Monteiro.

Portugal continua a ser também um grande importador de bacalhau.

Em 2005, foram importadas 278 milhões de toneladas desta espécie, cinco vezes mais do que a quantidade exportada (52 milhões).

Fonte: Agroportal

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