A crescente preocupação dos chineses com a saúde fez disparar as importações de azeite nos últimos anos e abriu mercado para a entrada dos azeites portugueses na China, considerou ontem Zhou Xi, distribuidor de azeites europeus no mercado chinês.
“A China será uma potência também para o mercado do azeite que está agora a começar, e penso que há espaço para as marcas portuguesas que quiserem entrar”, disse Zhou, responsável da Unistone Olive Oil, distribuidora que procura actualmente introduzir a marca portuguesa Nektar na China.
Em declarações à agência Lusa em Pequim, Zhou disse que “o consumo de azeite na China disparou nos anos mais recentes à medida que a população aumentou os seus rendimentos e começou a prestar mais atenção às questões de saúde”.
“Há cada vez mais chineses, especialmente mais velhos, que têm o hábito de beber duas colheres de azeite todos os dias por ser saudável”, afirmou o empresário, durante a Oil China, uma feira internacional do mercado de azeite e óleos alimentares que decorre em Pequim entre 16 e 18 de Abril.
Apesar das novas oportunidades, Zhou reconheceu que será difícil para Portugal entrar no mercado das maiores cidades chinesas, onde as prateleiras dos supermercados se enchem já de azeites espanhol, italiano e israelita.
“Prevejo um longo caminho para as empresas portugueses fazerem o marketing dos seus azeites”, considerou o empresário, que acredita que uma forma melhor de entrar no mercado chinês será através das cidades de pequena e média dimensão.
Cerca de 90 por cento da importação chinesa de azeite destina-se a grandes cidades como Pequim, Xangai, o centro económico e financeiro da China, Cantão e Shenzhen, respectivamente a capital e a cidade mais rica da província meridional de Guangdong, fronteira a Macau.
Cerca de 95 por cento do mercado de consumo chinês, constituído pelas cidades pequenas e médias não tem ainda conhecimento do produto, de acordo com Zhou.
Zhou acrescentou que o interesse dos chineses pela gastronomia dos países do sul da Europa é também uma oportunidade para as marcas portuguesas de azeite entrarem na China. “O consumidor chinês ainda privilegia o baixo preço em relação à qualidade, mas penso que há mercado para as duas categorias”, disse.
O Brasil é actualmente o maior mercado do azeite português, representando uma quota de mercado de cerca de 60 por cento do total das exportações portuguesas do sector. No ano passado, a China importou 10 mil toneladas de azeite – dobrou os números de 2005 – com Espanha a dominar o mercado, sendo responsável por 67 por cento das vendas para o país asiático.
Segundo dados oficiais do Ministério do Comércio chinês, nos primeiros dois meses deste ano a China importou 1225 toneladas de azeite. A China espera aumentar a importação de azeite até às 20 mil toneladas em 2008 e superar as 100 mil toneladas em 2011, segundo dados oficiais.
Apesar da China ter começado a plantar oliveiras em algumas regiões há 40 anos, a geografia chinesa não se adequa à grande produção, segundo analistas do sector agrícola, que apontam ainda falhas ao nível da tecnologia e da profissionalização da produção.
Fonte: Confragi
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