Azeite: Fusão de cooperativas no Alentejo é única forma de ganhar mercados

O presidente da Cooperativa de Olivicultores de Borba, David Guégués, defendeu a fusão de empresas congéneres no Alentejo, considerando ser a única forma de desenvolver o sector e ganhar mercados.

Em declarações à agência Lusa, o responsável afirmou que “o sector necessita de uma reestruturação”, que passa pela “fusão de cooperativas a nível regional, sobretudo no Alto Alentejo”.

“Esta estratégica, em que passaria a haver cooperativas de âmbito regional e não concelhio como acontece actualmente”, permitiria a este ramo de actividade ter perspectivas de futuro e combater a concorrência, sobretudo dos produtores espanhóis”, disse.

“Em Portugal, não temos preços para concorrer com a Espanha, o maior produtor mundial de azeite e que domina o mercado internacional do sector”, alegou.

O facto de Portugal produzir azeite de qualidade é apontado pelo mesmo responsável como o principal factor que permite a sobrevivência dos produtores portugueses.

“Mas, se não houver reestruturação e luta pela qualidade, o futuro do sector, na nossa região, pode estar comprometido”, advertiu.

Segundo David Guégués, a cooperativa de Borba e as congéneres de Estremoz, Alandroal e Vila Boim (Elvas), por exemplo, deveriam juntar-se e criar apenas uma zona de transformação, cuja localização seria a que melhor servisse os interesses dos olivicultores envolvidos no processo.

David Guégués salientou que, mais tarde ou mais cedo, as zonas de transformação têm de ser transferidas para as zonas industriais dos respectivos concelhos.

“Basta olhar para os nossos vizinhos espanhóis e qualquer cooperativa deles das mais pequenas é tão grande ou superior à nossa maior”, realçou.

Segundo o mesmo responsável, “há muita azeitona do Alentejo que é exportada para Espanha”, mas explicou que na zona de Borba “não tem havido procura de olivais por parte dos investidores espanhóis”.

“Nesta região do Alto Alentejo predomina a pequena propriedade e os agricultores espanhóis querem grandes extensões e, por isso, compram no Baixo Alentejo”, salientou.

A Cooperativa de Olivicultores de Borba, de acordo como o responsável, aproveitando a qualidade do azeite obtido na última campanha, lançou recentemente no mercado uma nova marca, o azeite “Dom Borba”, que é “totalmente natural”.

“Lançámos este azeite no mercado no âmbito da nossa preocupação de pretendermos sempre lutar pela qualidade, que é o nosso lema”, salientou.

A Cooperativa de Borba, uma das principais do Alentejo, registou em 2007 uma produção a rondar um milhão de quilos de azeitona, o que corresponde a cerca de 142 mil litros de azeite, mais 20 por cento em relação a 2006, e “de melhor qualidade”.

A empresa produz azeite de qualidade com Denominação de Origem Protegida (DOP), exportando uma pequena quantidade para Inglaterra, Alemanha e França.

A Cooperativa de Olivicultores de Borba, fundada em 1951, que produz as marcas “Gaspacho” e “Dom Borba”, tem cerca de 1.200 associados e abrange os concelhos de Borba e Vila Viçosa, no distrito de Évora.

Fonte: Agroportal

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