Azeite: Cooperativa Foz Côa diz que nova legislação beneficia embaladores

O director da Cooperativa de Olivicultores de Vila Nova de Foz Côa considera que a nova legislação que obriga a servir azeite em embalagens invioláveis nos restaurantes beneficia os embaladores e não garante a qualidade do produto.

Na quarta-feira entrou em vigor a portaria que obriga as mesas dos restaurantes portugueses a substituir os tradicionais galheteiros por embalagens descartáveis de azeite.

“Esta nova legislação sobre o azeite, imposta pela União Europeia, é tendenciosa e proteccionista para os países não produtores de azeite que, assim, poderão fazer misturas de outros óleos com o azeite adulterando a genuinidade e tipicidade de um produto de qualidade que faz parte da dieta saudável dos países mediterrânicos em que se inclui Portugal”, defende Fernando Azevedo, em declarações à agência Lusa.

“Esta é “uma medida lesiva sobretudo para os pequenos produtores, vindo só a beneficiar embaladores e grandes grupos”, acrescenta.

No caso da região de Vila Nova de Foz Côa, onde “vários produtores já receberam troféus em certames internacionais como o melhor azeite do mundo, a nova Lei do azeite pode pôr em causa a qualidade, tendo em conta que nesta região de minifúndio, onde se insere a Cooperativa de Olivicultores de Foz Côa, a produção do azeite é, a par do vinho, um dos produtos de qualidade e bases económica das famílias”, refere o responsável.

Por isso, Fernando Azevedo considera que “atendendo às exigências comunitárias, no que concerne à parte ambiental e de qualidade, os agentes económicos tiveram de investir na modernização não só nas linhas de extracção de azeite como ainda no tratamento das águas residuais e de outros produtos, para beneficiar os vários produtores da região de Foz Côa que sentiram a necessidade de se agrupar na Cooperativa”.

“No tradicional galheteiro, o cliente poderia analisar e apreciar a qualidade do azeite, visualizando o produto e fazendo logo uma prova organoléptica em termos de cor, odor e sabor, enquanto que nas unidoses isso é impossível”, sublinha.

Fernando Azevedo defende que o Governo português “deveria intervir junto das instâncias comunitárias no sentido de esta legislação poder ser alterada, tendo em conta a realidade dos países mediterrânicos, nomeadamente de Portugal”.

A Cooperativa de Olivicultores de Vila Nova de Foz Côa tem cerca de 700 associados e produziu na última safra 150 mil litros de azeite extra-virgem com 0,1 por cento de acidez, extraído principalmente nas qualidades de negrinha e bical.

Para garantir a qualidade, a Cooperativa apostou em novos sistemas de transporte da azeitona para que após a colheita seja transformada e chegue nas melhores condições de higiene.

Fonte: Agroportal

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