Aumento dos combustíveis trava agricultura

O constante aumento dos combustíveis, dos adubos e dos fitossanitários faz parar ou reduzir ao mínimo as máquinas agrícolas, com os efeitos a fazerem-se sentir nos tratamentos dos olivais.

O primeiro alerta surge dos agricultores da margem esquerda do Guadiana, região onde a subida no preço do gasóleo e dos adubos obriga os pequenos, médios e grandes agricultores «a diminuir o número de horas de trabalho das máquinas agrícolas», diz Sebastião Rodrigues, presidente da Associação de Agricultores de Serpa (AAS).

O responsável refere que «nem as movimentações da terra são efectuadas» e, segundo o mesmo, um tractor com potência de 80 ou 90 cavalos gasta em média, em cada oito horas de trabalho diário, mais de 80 euros em combustível, um problema que agrava-se quando se trata de grandes casas agrícolas, onde o consumo mínimo pode chegar aos 300 litros de gasóleo por dia.

O dirigente diz que a situação pode vir a acentuar as dificuldades da agricultura alentejana se a escalada de preços continuar em simultâneo com as adversidades climatéricas que colocam em risco os resultados de um ano agrícola que se dizia promissor, com boas colheitas nas culturas de trigo e cevada.

As «searas feitas» estão comprometidas com as chuvas que têm caído no Sul do país ao longo das últimas semanas, com períodos de fortes aguaceiros, e prestes a serem colhidas, o que deveria acontecer em meados de Junho.

Os anormais factores climatéricos característicos da estação de Outono está também a ter efeitos «preocupantes» nas culturas de Primavera/Verão nas searas de tomate, girassol, milho e arroz, adianta Francisco Palma, um representante dos agricultores do Baixo Alentejo.

Na última cultura, cerca de 60 por cento da área que foi semeada mais cedo «está a sofrer os efeitos das baixas temperaturas», consideradas estranhas para a época, sendo que tanto o Alentejo como o Ribatejo estão a suportar condições de clima próprias de Outono.

Franciscom Palma não deixa de recordar o optimismo antecipado que foi expresso pelo ministro da Agricultura, Jaime Silva, quando, recentemente, previu «um bom ano agrícola» nas culturas de cereais, que mobilizaram uma área de cultivo entre os 300 a 400 mil hectares em todo o país, com maior incidência no distrito de Beja.

O presidente da Associação de Agricultores do Baixo Alentejo salienta que a «agricultura é uma actividade de risco que está sujeita a muitos imponderáveis», cita o Público.

Fonte: Público

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