Aumento das quotas baixará preço do leite em 5%

A Comissão Europeia propôs aumentar em dois por cento os direitos de produção dos 27 países da União Europeia, a partir de Abril do próximo ano, uma medida que já vinha estudando desde há meses e com a qual, asseguram, contribuirá para reduzir em 4,9 por cento os preços finais dos diversos produtos lácteos.

“No último ano asistimos a uma forte subida das cotações do leite e a uma exigência cada vez maior de incremento das quotas de produção”, justificou em comunicado a comissária europeia da Agricultura, a dinamarquesa Mariann Fischler Böel, que adverte que nos próximos anos “continuará a crescer a procura de produtos lácteos de elevado valor acrescentado, especialmente queijos, não apenas na Europa, mas também à escala global. Devemos pois proporcionar aos nossos agricultores os meios necessário para satisfazer essa procura”, assinalou a comissária.

O aumento da quota pretende responder ao aumento das necessidades de leite na União Europeia e será de dois por cento para todos os países. No caso espanhol, a quota nacional passará de 6,11 para 6,24 milhões de toneladas, caso a aprovação seja feita sem alterações substanciais.

Em Espanha, tal como sucede na Grécia, na Itália, na Polónia ou em Portugal, consome-se muito mais leite do que aquele que aí é produzido, o que obriga a importar esses quantitativos a partir de países como a França, a Alemanha, a Holanda ou a Dinamarca, que possuem quotas nacionais muito superiores às suas necessidades de consumo.

O aumento agora proposto pela Comissão não permitirá, naqueles países deficitários, proporcionar a cobertura total da procura e tenderá a aumentar a quantidade de produtos lácteos importados. Assim, a descida de preços que pretende Bruxelas e que, supostamente, beneficiará os consumidores, irá tender a criar uma crescente dependência em relação ao leite importado e às primcipais empresas desses mercados excedentários.

Argumento
Apesar do argumento dos preços, Bruxelas já havia referido a necessidade de incrementar as quotas há quatro anos atrás, muito tempo antes do leite iniciar a sua tendência inflacionista dos últimos meses. Então Mariann Fischer Böel não era a comissária da Agricultura, mas o seu antecessor Franz Fischler não logrou convencer os Estados-membro a adoptar esta ideia.

A comisaría apresentará a nova proposta na próxima semana ao Conselho de Ministros dos 27 e, a priori, não parece que vá encontrar muitos obstáculos à respectiva aprovação. Primeiro, porque o incremento é relativamente pequeno e, de acordo com Bruxelas, o mercado oferece agora “grandes possibilidades” para absorvê-lo. Em segundo lugar, porque os seus efeitos reais sobre a produção, que poderiam levantar temores em alguns países, serão “mais limitados, dado que, na actualidade, alguns Estados-membro não utilizam as quotas nacionais na sua totalidade”. E, finalmente, porque a UE pretende reformar por completo a sua Política Agrícola Comum em 2008 e a Comissão já anunciou que uma das suas propostas será a progressiva liberalização do sector lácteo até ao desmantelamento definitivo do sistema de quotas em 2015. Esse será o grande debate do próximo ano e muitos países estão a reservar “as suas forças” para essa altura.

Fonte: Anil

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