Militantes da organização ecologista Greenpeace perturbaram ontem um salão internacional de produtos do mar em Bruxelas “fechando” os ‘stands’ de cinco grandes fornecedores de atum, uma espécie ameaçada pelo excesso de pesca, nomeadamente no Mediterrâneo, testemunharam jornalistas.
Dezenas de militantes da associação de defesa do ambiente cobriram os ‘stands’ com redes de pesca e conseguiram acorrentar-se às estruturas das instalações empunhando cartazes com o seguinte aviso: “O atum entrou em alerta vermelho”.
Outros membros da organização ecologista colocaram uma enorme faixa na fonte que está em frente dos sete espaços da exposição onde decorre a feira.
A Exposição da Comida Marinha da Europa é o mais importante salão da Europa do sector do peixe e dos mariscos, atraindo todos os anos a Bruxelas cerca de vinte mil compradores e vendedores originários de cerca de 80 países.
“O objectivo é perturbar o negócios destas sociedades que têm uma enorme responsabilidade na excesso de exploração do atum”, explica Stephan Beaucher, responsável da Greenpeace França. “Com o excesso de pesca actual, não se evitará a queda das reservas de espécies de atuns, algumas das quais já estão no limite de extinção”.
Segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), a capacidade de pesca do atum vermelho nos países da bacia do Mediterrâneo representa o dobro da quota de captura autorizada.
A Greenpeace, que lamenta que o salão não preste atenção suficiente ao excesso de pesca, conseguiu impedir o bom desenrolar dos negócios nos ‘stands’ do japonês Mitsubishi, líder mundial da indústria do atum, e do espanhol Ricardo Fuentes, que controla cerca de 60 por cento da produção do atum vermelho no Mediterrâneo.
“Respeitamos todas as regras internacionais em matéria de atum. Não é justo, fazemos simplesmente o nosso trabalho”, reagiu um responsável da sociedade espanhola ao ver os militantes ecologistas ocuparem o seu espaço.
Para fazer face à ameaça que representa a pesca excessiva e permitir a reconstituição das reservas, a Greenpeace preconiza a criação de reservas marinhas que protejam 40 por cento dos oceanos.
Enquanto isto, a Comissão de Pesca da União Europeia distribuiu hoje entre cinco países (Espanha, Grécia, Chipre, Malta e Portugal) um total de 438,6 toneladas de quota de atum, que a França e a Itália “pagarão”, com os respectivos cortes nas suas quotas porque estes dois países excederam em 2007 as respectivas capturas.
Das 438,6 toneladas, os países da União Europeia deram 200 à Grécia, 154 a Chipre, 21,9 a Malta e 12,9 a Portugal.
As quotas de pesca de atum vermelho desde 2007 a 2010 estão já fixadas, no âmbito de um plano de recuperação da espécie.
O Total Admissível de Capturas (TAC) global de atum vermelho em 2007 foi de 29.500 toneladas (16.779,55 para a UE) em 2008, será de 28.500 (16.210 toneladas), em 2009 de 27.500 e em 2010 de 25.000.
A Espanha é o país que tem a maior quota de atum vermelho da União Europeia, seguida de muito perto pela França.
Calcula-se que, entre capturas legais e ilegais, a Espanha, França e Itália realizam 50 por cento da pesca de atum no mundo, embora o Japão seja o país que mais extrai e consome este pescado.
Fonte: Agroportal
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