ASAE vai avaliar riscos da presença de salmonelas

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) vai avaliar os riscos para a saúde associados à elevada prevalência de salmonelas nas explorações avícolas, disse esta quinta-feira à Lusa um responsável deste organismo.
Um relatório preliminar da Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla inglesa), divulgado sexta-feira, dava conta de que Portugal encabeça a lista dos Estados-membros da UE no que respeita à prevalência de salmonelas em criações avícolas, com 79,5% de resultados positivos nos testes efectuados.

«Vamos estudar o relatório e analisar que medidas devem ser tomadas, em conjunto com outras entidades», afirmou o director científico da AESA, Barreto Dias. O mesmo responsável salientou que a prevalência de salmonelas nas explorações avícolas, embora seja um problema de saúde animal, pode implicar uma maior presença destes microrganismos nos alimentos para consumo humano, designadamente os ovos.

«Deve-se tentar reduzir ao mínimo esta carga microbiana para evitar uma contaminação elevada nos alimentos», sublinhou o especialista, chamando a atenção para a necessidade de cozinhar muito bem os alimentos.

«Com o tratamento por calor, a salmonela é totalmente imobilizada e destruída», explicou.

A salmonela está normalmente associada a intoxicações alimentares e gastroenterites e provoca sintomas como febre, dores abdominais e diarreia.

A agência Lusa contactou igualmente a Direcção-Geral de Veterinária que remeteu quaisquer esclarecimentos sobre esta matéria para sexta-feira. Segundo o relatório preliminar da EFSA, os números envolvendo todas as subespécies de salmonelas vão de um máximo de 79,5%, registado em Portugal, aos 0% verificados no Luxemburgo.

No que respeita especificamente às espécies Salmonella Enteritidis e Salmonella Typhimurium (os dois tipos de salmonela mais frequentemente associados a doenças humanas) a percentagem registada nas criações portuguesas, de 47,7%, é ultrapassada apenas pela República Checa (62,5%), a Polónia (55,9%), a Espanha (51,6%) e a Lituânia (50%).

Do outro lado do espectro no que respeita a estas duas subespécies, com 0% de prevalência, estão Chipre, Luxemburgo, Letónia e Suécia.

Em números médios, o estudo apurou uma prevalência média global na UE de 20,3% das salmonelas Enteritidis e Typhimurium, e de 30,7% de todas as subespécies da bactéria.

O estudo da EFSA incidiu sobre 5.317 grandes criações avícolas em todos os 25 países da UE e na Noruega, que participou numa base voluntária, sendo retidos os dados de 4.561, todas elas com pelo menos 1.000 galinhas poedeiras.

Em Portugal, foram analisadas 86 criações, sendo retidos os dados referentes a apenas 44.

Fonte: Diário Digital

Veja também

Consumo de café aumenta resposta ao tratamento da hepatite C

Os pacientes com hepatite C avançada e com doença hepática crónica que receberam interferão peguilado …