ASAE Não Fiscaliza Contaminação de Alimentos através de Embalagens

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) não tem fiscalizado a contaminação de alimentos através das embalagens em que são comercializados. Na verdade, desde o início de 2005 que não são realizados quaisquer testes.

A garantia surge do próprio laboratório nacional de referência, na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica. E esta inactividade portuguesa verificou-se mesmo depois de, em Novembro passado, a Nestlé ter sido obrigada a retirar embalagens de leite para bebés devido à detecção, em Itália, de ITX nas embalagens de cartão.

Mais tarde, a própria TetraPak, responsável pelo fabrico das embalagens, confirmou a presença de ITX noutros produtos. Num outro cenário, a União Europeia emitiu, desde Janeiro de 2005, 38 alertas devido à presença de aminas aromáticas em utensílios de cozinha.

O porta-voz da ASAE, Manuel Lage, confirmou ao Jornal de Notícias que não existem esforços correntes na inspecção de embalagens. «Não estamos a fazer análises. Estamos a avaliar a situação e a fazer o levantamento dos produtos eventualmente perigosos». O responsável assegurou que estão a ser levados a cabo contactos para o estabelecimento de parcerias com o laboratório de referência e o de segunda linha.

A directora de Segurança Alimentar da Comissão Europeia, Paola Testori, admitiu não ter conhecimento deste panorama nacional, mas explicou que é da responsabilidade de cada Estado-membro a elaboração e implementação de um plano de controlo.

«Infelizmente, encontramos regularmente falta de recursos e de capacidade e o que pedimos aos Estados é que não deixem de fazer um controlo no mercado onde os produtos se encontram», disse a responsável comunitária.

Face a este cenário, o engenheiro químico da Deco-Pro Teste especializado em segurança alimentar, Nuno Lima Dias, mostrou-se preocupado: «Além das carências de fiscalização, há vazios legais no controlo de alguns materiais, como o papel e o cartão. Nestes casos, não havendo legislação, não há controlo nem sequer infractores». O especialista lamentou, ainda, a falta de uma política de prevenção em Portugal.

Essa falta de legislação não impede, todavia, algumas empresas de terem consciência da importância da segurança num mercado cada dia mais competitivo. O Jornal de Notícias dá o exemplo da Lactogal, que é especializada na produção de lacticínios.

A directora do Departamento de Qualidade da empresa, Donzília Cantarinho, afirmou que a Lactogal tem planos de controlo regulares e todas as suas fábricas dispõem de um laboratório próprio. Acresce que a empresa tem um laboratório central que efectua análises mais específicas.

Os métodos de análise são validades por laboratórios externos à Lactogal e também efectuam alguns testes. Os fornecedores das embalagens usadas pela empresa são responsáveis pela realização de testes aos seus produtos, mas, ainda assim, «de vez em quando, pegamos em amostras aleatórias e mandamos exteriormente confirmar os resultados», esclareceu a responsável.

Fonte: Jornal de Notícias

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