ASAE: Abate ilegal em Almada

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), fiscalizou ontem o décimo matadouro, em apenas quatro dias. Depois de percorrer o Centro Litoral e a zona nortenha entre o Porto e Vila Real, a ASAE centrou–se na Margem Sul do Tejo. Resultado: foi detectado o abate clandestino de quatro borregos com quatro meses.

“Este tipo de acção constitui um crime punível por lei. Os animais devem ser abatidos em local próprio e certificado e ter a presença de um médico veterinário”, disse ao CM António Nunes, o presidente da ASAE, que acompanhou a operação.

António Nunes sublinhou também que “o que está em causa é a saúde pública. A carne proveniente dos abates clandestinos é posta no circuito comercial e pode trazer consequências para os consumidores. Não se consegue detectar à primeira vista que tipo de doenças ou infecções os animais possam ter”.

Os proprietários do matadouro, afirmaram ter licença para criar gado e disseram que os abates acontecem para consumo interno.

“Há mais de 40 anos que aqui estou. Quando me reformei, por invalidez, comecei a dedicar-me ao gado como passatempo e nós temos tudo certinho”, comenta com o CM o co-proprietário das instalações.

Na passada sexta-feira, a ASAE iniciou uma operação de fiscalização em matadouros espalhados pelo País. “Este é o décimo operador que visitamos e o resultado destes dias é o seguinte: três locais de abate clandestino, seis pessoas detidas e seis processos-crime”, revela ao CM o presidente da ASAE.

CARCAÇAS LIMPAS

A veterinária Rita Gonçalves, que integrou a equipa da ASAE, explicou ao CM o estado dos quatro animais: “São carcaças limpas, ou seja, já lhes retiraram as vísceras, o estômago, os intestinos e as peles, por isso estariam preparadas para um eventual consumo.”

Nos últimos dias, a ASAE apreendeu 30 animais: 18 leitões e 12 ovelhas, borregos e cabritos – quatro dos quais na tarde de ontem – e ainda instaurou um processo por posse ilegal de arma. “Isto é complicado porque quando chegamos aos sítios, às vezes ainda nos confrontamos com outras ilegalidades, como a posse e o uso indevido de armas de fogo”, contou ao CM um dos inspectores. Segundo a ASAE, por dia, acontecem, em Portugal, entre 2 a 5 abates clandestinos. Durante o ano passado, este organismo fiscalizou e instaurou processos-crime em 50 matadouros.

Fonte: Correio da Manhã

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