Os responsáveis dos Banco Mundial estão preocupados com a possibilidade de a Tailândia, o maior exportador de arroz do mundo, restringir as vendas ao estrangeiro daquele alimento, à semelhança do que fizeram outros países asiáticos, agravando ainda mais a actual crise alimentar.
Os principais exportadores dos mundo de arroz, como a Índia e o Vietname criaram medidas de limitação às exportações de forma a assegurar a alimentação das suas populações, o que na prática contribuiu para o recente aumento dos preços, afirmou James Adams, vice-presidente do Banco Mundial (BM) para o departamento Ásia e Pacífico.
O arroz, que representa o alimento base para três mil milhões de pessoas, já duplicou de preço no último ano, pressionando a Tailândia a seguir os seus vizinhos asiáticos e a reduzir as exportações, o que irá contribuir ainda mais para escalda do preço deste cereal, uma vez que a Tailândia representa cerca de um terço das exportações mundiais domesmo, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos da América (EUA).
O vice-presidente do BM, defeneu que «se um importante exportador com a Tailândia limitar as vendas ao estrangeiro, seria o mesmo que Arábia Saudita reduzisse as exportações de petróleo. Quanto mais países restringirem as suas exportações, mais forte se torna a pressão para» este aquele país «fazer o mesmo fazer o mesmo», sublinhando, no entanto, James Adams, que o «BM tem esperança que a Tailândia continue a resistir às pressões para diminuir as exportações».
Perante estes rumores, o primeiro-ministro da Tailândia , Samak Sundaravej veio ontem negar que o país tenha planos para restringir as exportações, garantindo que «não há necessidade», para além, frisou ainda o Governante, que «a Tailândia perderia o estatuto de cozinha do mundo» se os fornecimentos forem reduzidos..
O preço do arroz de referência das exportações atingiu no dia nove de Abril um recorde nos 854 dólares a tonelada, um valor que compara com os 327,25 dólares a tonelada no mesmo período do ano passado.
O encarecimento deste cereal, bem como de outras bens alimentares essenciais como o milho e o trigo, resulta dos elevados preços do petróleo, da forte procura dos mercados emergentes, do desvio de culturas agrícolas para a produção de biocombustíveis, do mau tempo e da actual turbulência financeira, que transformou as matérias-primas em activos mais apetecíveis, refere o Diário Económico.
O BM estima que existem 33 países, desde o México ou Iémen, à beira de uma crise social, que pode provocar «tumultos», devido à subida do preço da comida.
O Nobel e economista da Universidade e Chicago, Gary Becker, citado pela “Bloomberg” afirmou que «limitar as exportações é política pura e má economia, uma vez que o controlo das exportações« acaba com «os incentivos dos agricultores para plantar mais arroz», que é talvez «a comida mais explosiva politicamente, já que constitui a base de alimentação de muitas nações pobres da Ásia».
Fonte: Confragi
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