Área para cultura do milho caiu 40 por cento em seis anos

Nos últimos seis anos, as áreas dedicadas ao cultivo do milho baixaram quase 40 por cento em Portugal, situando-se no ano passado nos 132.488 hectares. A imprevisibilidade dos preços e o aumento dos factores de produção contribuíram para esta quebra, mas a Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo (Anpromis) defende que 2011 pode ser o ano da viragem e espera que o Governo reconheça a importância da expansão da cultura do milho como forma de reduzir a dependência portuguesa de cereais importados e de rentabilizar as novas áreas regadas.

Classificar o milho como cultura prioritária em Portugal, aproveitando as excelentes condições climatéricas e de solos, e canalizar para a recuperação do sector boa parte dos 90 mil hectares de regadio disponíveis na área do Alqueva, são dois dos grandes objectivos que a Anpromis traçou para 2011.

Esta vai ser a questão central do 6.º Colóquio Nacional do Milho, que se realiza, na próxima quinta-feira, no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas de Santarém. São esperados mais de 450 produtores, profissionais e especialistas do sector agrícola, num encontro onde também estarão em foco temas como a competitividade da cultura do milho em Portugal e o futuro da Política Agrícola Comum.

“O milho, entre as grandes culturas arvenses, é seguramente a cultura mais interessante para Portugal. Este é um ano com características muito boas para a produção de milho. É preciso aproveitar bem estas circunstâncias”, sublinha Luís Vasconcellos e Souza, presidente da Anpromis, em declarações ao PÚBLICO, frisando que, numa altura em que se adivinham novas crises alimentares mundiais e os preços praticados nos mercados de cereais são cada vez mais voláteis, “importa que cada país apoie, de forma decidida, a sua agricultura mais competitiva”.

A cultura do milho é praticada em 67 mil explorações espalhadas por quase todo o território português, destacando-se como a maior cultura arvense, mas Portugal só produz um terço do milho que consome e já produziu mais. “Já assegurámos bastante mais e podemos assegurar bastante mais. O Estado precisa de criar condições, que sei que não são fáceis, para produzirmos mais cereais e mais milho no Alqueva”, sublinha.

Vasconcellos e Souza sugere que é preciso tomar medidas de incentivo à produção de milho, sobretudo ao nível dos preços dos factores de produção e do aumento da capacidade de armazenagem. “Pagamos factores de produção francamente mais caros do que os nossos congéneres europeus e a capacidade de armazenagem é parca, mas só se pode armazenar havendo produção e os desincentivos têm sido grandes, levando a produção a baixar”, constata.

Electricidade “caríssima”, água para rega paga quando noutros países isso não acontece e pesticidas com preços elevados também devido a um mercado interno pequeno são, por isso, os principais problemas com que se debatem os produtores de milho.

Fonte: Público

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