Arcas desligadas, baratas e ratos

Há cozinhas de restaurantes onde as bancadas ainda são de madeira, o chão é tapado por caixas de papel para evitar o frio, as batatas cortadas no mesmo sítio que a carne e com a mesma faca e as moscas proliferam. Há mercearias que não têm pontos de água, onde as arcas são desligadas à noite para poupar energia, queijos e iogurtes não permanecem à temperatura adequada e a fruta e os verdes são esquecidos ao sol ou à chuva na rua. Há armazéns frigoríficos onde é guardada mercadoria, que depois segue para os pontos de venda, grandes superfícies ou venda a retalho, que lida com a praga dos ratos.

Tudo situações que qualquer inspecção rejeitava. “Não é tudo mau. Há bons e maus comerciantes, mas ainda se vê muito disto”, alertam os veterinários. “Há restaurantes onde impera o bom-senso, mas há outros em que as pessoas se deviam recusar entrar. Há mercearias onde os proprietários não têm água para lavar as mãos”, continuam. Por exemplo, “é muito difícil explicar a um chinês que as baratas são sinal de falta de higiene. E quando voltamos ao restaurante encontramos a mesma coisa”, conta uma veterinária.

Já nos tinham avisado mas só tivemos noção do que isso poderia significar numa ronda pela cidade. A zona oriental foi-nos indicada como sendo das mais problemáticas na capital e ali deparamos com espaços onde a primeira imagem é a de abandono no que toca às condições de higiene. Em Xabregas, uma ementa à porta anunciava bifes de cebolada. Lá dentro, as moscas eram mais visíveis do que tudo o resto, mas a confecção, dizia-nos o proprietário, “é caseira. Sou só eu e a minha mulher. A Expo deu cabo disto e agora não há ninguém. Qualquer dia fecho”, diz. Os clientes ao balcão pedem só um copo de vinho. Ao lado, um outro restaurante, aberto desde 1942, mas que se tem remodelado para sobreviver. A formação é dada pelo patrão, mas agora “todos vão fazer”, diz. “O mais importante é a qualidade da cozinha, senão não há clientes.”

Fonte: DN

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