Aquíferos estão a secar

O país continua em seca severa (29%) e extrema (71%), tendo havido apenas muito ligeiras alterações na última quinzena de Agosto. As entidades encarregadas de gerir essa crise consideram que, apesar de quase 100 mil habitantes estarem sujeitos a alguns cortes no abastecimento, este não está a sofrer rupturas graves. A preocupação maior vai para alguns aquíferos que ameaçam entrar em ruptura.

Não só as albufeiras têm um armazenamento abaixo da média neste final de ano meteorológico caracterizado pela seca também as reservas subterrâneas já se ressentem. Ontem, o secretário de Estado do Ambiente, no final da reunião da Comissão para a Seca 2005, referiu como “situação complicada” a do sistema aquífero cretácico de Aveiro, bem como a do aquífero Querença-Silves e ainda a dos gabros de Beja.

“Há riscos de sobreexploração e não queremos que esse aquífero baixe mais e por isso já há redução das extracções”, confirmou Humberto Rosa, ao JN, sobre reservas subterrâneas de água no sistema de Aveiro. Aí, a ordem é já de não extrair, estando o furo de Serém mesmo esgotado. O referido aquífero localiza-se sob o território dos concelhos de Águeda, Albergaria-a-Velha, Anadia, Aveiro, Cantanhede, Estarreja, Ílhavo, Mira, Murtosa, Oliveira do Bairro, Ovar e Vagos.

No Algarve procura-se novo local de extracção no sistema subterrâneo Querença-Silves, que dá já sinal de intrusão salina num dos seus extremos, localizado mais na proximidade da orla costeira.Segundo o secretário de Estado do Ambiente, a maior parte dos casos em que tem havido redução na pressão ou mesmo cortes de água decorre de uma atitude pedagógica por parte das entidades abastecedoras, para que as pessoas se compenetrem de que é preciso poupar. Ao todo, 118 municípios passaram a “racionalizar o consumo”. No entanto, nomeadamente no Algarve, algumas entidades abastecedoras e os municípios consideraram que cortes por algumas horas iriam acarretar desperdício, dado o hábito dos consumidores armazenarem água em excesso. “Não estamos na iminência de uma ruptura no Algarve”, garantiu o secretário de Estado do Ambiente.

No que diz respeito às populações em que os abastecimentos são alimentados por autotanque (79 mil pessoas) parte delas “estariam assim mesmo em ano que não fosse de seca”. Ao todo, perto de cem mil habitantes em 36 municípios têm abastecimento cortado em algumas horas. Em 16,2% dos concelhos foi reforçado o tratamento da água, margem que é quase coincidente com os 15% que detectaram degradação da qualidade.

Nas 59 albufeiras sob vigilância não houve ainda, este ano, mortandade de peixes que provocasse a deterioração da qualidade da água. Isso deveu-se às acções de pesca preventiva, que recolheram 180 toneladas de peixe, usadas para alimentar fauna selvagem.

Estudadas soluções para o Sul

Estamos a trabalhar soluções para o caso do Algarve não só tendo em vista 2006 como o longo prazo”, garantiu o secretário de Estado do Ambiente, que adiantou estar a ser estudada a captação de água a partir do Guadiana. No entanto, “faltam ainda estudos e articulação com Espanha” para que essa solução de fornecimento possa ser adoptada em 2007. Humberto Rosa disse ainda que não está descartada a hipótese da dessalinização, mas esta terá de partir da iniciativa de privados. Para o Algarve ainda, em 2006, a barragem de Odeleite/Beliche poderá ficar preparada para ceder o seu volume morto. “Se chover alguma coisa”, em 2006 será possível usar a ensecadora de Odelouca. Para 2007 está em estudo também a hipótese de o Algarve ir buscar água à barragem de Santa Clara (sul do Alentejo).

Fonte: JN

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