Anti-viral para a gripe esgotado nas farmácias

A Organização Mundial de Saúde está reunida na Nova Caledónia para discutir a ameaça da gripe nos países pobres OMS lançou um apelo no sentido dos chefes de Estado se prepararem para os perigos de uma eventual pandemia O primeiro caso da doença nos humanos registou-se em 2003, tendo provocado desde então 63 mortos Está disponível a vacina antigripal para este Inverno. Deve ser administrada em Outubro e aos grupos de risco
Ao mesmo tempo que a Direcção-Geral da Saúde (DGS) estuda a eficácia e eventual compra de máscaras para enfrentar uma epidemia de gripe à escala mundial, o receio da doença está a provocar uma corrida às farmácias portuguesas. O mesmo medicamento anti-viral encomendado pelo Governo para fazer face a uma pandemia provocada pela mutação do vírus da gripe das aves está já esgotado em muitas farmácias dos 18 distritos. Muitas pessoas estão ainda a pedir aos médicos a vacina para a gripe normal, por pensarem que poderá ser eficaz contra o H5N1. O que, esclarecem os peritos, não é verdade.

De acordo com um levantamento realizado e divulgado ontem pela Agência Lusa em várias farmácias de todo o País, em nenhuma o oseltamivir (substância activa do anti-viral) se encontra disponível. E em nenhuma os técnicos sabiam a data em que o stock seria reposto.

Segundo explicou ao DN João Pereira, porta-voz em Portugal da Roche – o laboratório que produz o medicamento -, o cenário contrasta com o período vivido no ano passado. “Em 2004, e como não houve nenhum surto particular de gripe, o oseltamivir quase não se vendeu no País”, admitiu, esclarecendo que este ano ainda não foram entregues os medicamentos relativos à época de gripe que se inicia este Outono e que isso deverá acontecer dentro das próximas duas semanas. Mesmo assim, no ano passado, por esta altura, as farmácias ainda tinham o anti-viral à venda. Para João Pereira, que confirma a ruptura do stock, esta terá a ver com a tentativa de as pessoas se prevenirem contra o H5N1.

A situação é do conhecimento da DGS e para Graça Freitas, responsável para a secção de doenças transmissíveis, “é normal” que as pessoas se tentem prevenir, num ano em que se multiplicaram os alertas para o risco de o vírus H5N1 vir a provocar uma pandemia de gripe. “Se vier a pandemia, não me parece despropositado. Pode é não ser eficaz”, afirmou no entanto a especialista, explicando que os medicamentos têm prazos – neste caso menos de cinco anos – e que “ter uma reserva de anti-virais em casa não dispensa a consulta do médico”. Um dos receios da DGS face a esta corrida aos anti-virais é precisamente o de que, “ao mínimo sintoma de gripe sazonal”, as pessoas tomem o fármaco “indiscriminadamente”, antes de ele ser preciso.

Mas a ameaça de uma pandemia – considerada “inevitável” pela Organização Mundial de Saúde – está a gerar confusão também no que diz respeito às vacinas. Ainda na semana passada a DGS emitiu um comunicado esclarecendo que a vacina contra a gripe para a época 2005/2006 “não protege ninguém contra o vírus H5N1”. Segundo Graça Freitas, na origem do aviso esteve o facto de “muitos médicos” estarem a receber pedidos de pessoas que, mesmo não pertencendo a grupos de risco, se queriam prevenir face a uma eventual pandemia de gripe. O que não faz qualquer sentido, uma vez que a vacina humana para a epidemia que vier a ser provocada pelo vírus aviário só poderá ser produzida quando for conhecida a estirpe em circulação. Neste momento, o que existe são esforços internacionais de desenvolver um protótipo.

O vírus H5N1 começou por infectar galinhas mas depressa saltou a barreira das espécies, atingindo patos e pessoas. Até hoje, só há registo de um caso de transmissão do vírus entre humanos, na Tailândia, mas os especialistas temem que a recombinação genética do vírus provoque uma pandemia semelhante à de 1918, que matou mais de 30 milhões de pessoas. Entre os humanos, a doença manifesta-se através de sintomas semelhantes aos de uma gripe normal, mas com alta taxa de letalidade.

Fonte: DN

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