A Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS) defendeu hoje a realização dos ensaios com milho geneticamente modificado NK 603, pedidos pela multinacional Monsanto para os concelhos de Évora e Salvaterra de Magos.
«A experimentação de novas variedades de milho geneticamente modificado (OGM) em Portugal deve ser apoiada, desde que as regras de coexistência sejam garantidas pelas autoridades competentes», afirmou a ANPROMIS.
Em comunicado emitido hoje, a associação diz ser «favorável» à realização dos ensaios com variedades de milho NK 603, resistente a herbicidas à base de glifosato.
A notificação relativamente ao pedido da multinacional da indústria agroquímica Monsanto para a realização dos ensaios, por um período de três anos, encontra-se em consulta pública até sexta-feira.
A Monsanto pretende efectuar os ensaios em três locais de libertação, um deles em Salvaterra de Magos (Santarém), no Núcleo de Ensaios e Controlo de Escaroupim, da Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural.
Os outros dois situam-se no concelho alentejano de Évora, um em terrenos privados e o outro numa parcela de terreno da Herdade da Mitra, pólo da universidade local.
A associação ambientalista Quercus e a Plataforma «Transgénicos Fora», que realizaram quarta-feira uma acção de protesto em Évora, junto à universidade, para sensibilizar a comunidade local contra os ensaios, já criticaram o facto deste processo envolver terrenos públicos.
Contudo, a ANPROMIS manifesta hoje posição contrária à dos ambientalistas, sustentando que esta situação «é tanto mais defensável» por os ensaios «ocorrerem, na maioria dos casos, em locais pertencentes ao Estado português», pelo que serão «sujeitos a um apertado controlo técnico».
Os produtores de milho reforçam ainda que se «deve promover este tipo de ensaios», com a salvaguarda de que os mesmos sejam «realizados em respeito pelas normas legais em vigor».
«A utilização de biotecnologia no sector agrícola é uma realidade em muitos países e representa uma importante ferramenta da produção agrícola», refere a ANPROMIS no comunicado.
Os ambientalistas já lembraram que a única variedade de milho OGM autorizada para cultivo na União Europeia é a MON 810, também da Monsanto, e defenderam que Portugal não deve autorizar os ensaios com o NK 603 para não se antecipar aos outros países europeus.
A Monsanto pretende realizar os ensaios para posterior registo de variedades do milho NK 603 no Catálogo Nacional de Variedades, após o que será possível cultivá-lo em território nacional.
Contactado quarta-feira pela Lusa, o reitor da Universidade de Évora, Jorge Araújo, explicou que a proposta da Monsanto foi aceite pela instituição ao abrigo da cooperação da academia com empresas privadas e para «contribuir para o esclarecimento da problemática que envolve os OGM».
«A utilização do milho transgénico faz-se por alternativa ao uso de pesticidas. A questão que se coloca é ver qual o mal menor, se os OGM, relativamente aos quais nada está provado contra, ou a aplicação de pesticidas, que são extremamente nocivos para o homem e para o ambiente», disse.
Fonte: Agroportal
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