O dia em que completou 42 anos ficou marcado na vida de Teresa como a data em que teve coragem de pedir ajuda para se libertar da anorexia e bulimia, doenças que durante «quatro longos anos» a envergonharam e «mataram lentamente».
Hoje, aos 45 anos, Teresa (nome fictício) fala com calma do «segredo» que demorou a revelar e que «atormentou» a sua vida, que partilha com o marido e dois filhos. «Tudo começou aos 38 anos com uma simples dieta. A vontade de ser magra e ter uma aparência jovem tomou conta de mim e passou a ser uma obsessão incontrolável que oscilava entre períodos quase em jejum e outros em que comia quantidades brutais de comida e vomitava a seguir», descreveu à Lusa.
Teresa contou que na adolescência nunca se sentiu mal com o seu corpo. O «excesso de peso [80 quilos e 1,65 metros de altura] surgiu depois das duas gravidezes», afirmou esta doente ainda em tratamento e que chegou a pesar 48 quilos.
Depois de «muito sofrimento, angústia e depressões», Teresa decidiu procurar ajuda médica e já consegue ter uma relação «mais saudável» com a comida, apesar de ainda manifestar algum receio em engordar.
A anorexia nervosa (restrição da alimentação) e a bulimia (alimentação compulsiva seguida de indução do vómito ou recurso a laxantes) são doenças do comportamento alimentar associadas à adolescência, mas estão a aparecer cada vez mais casos em mulheres e homens depois dos 40 e 50 anos.
«Não é nada que não saibamos que exista desde sempre, mas agora é mais frequente», disse à agência Lusa a psicóloga Mafalda Miranda, da consulta de doenças do comportamento alimentar do Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra).
Mulheres querem continuar belas
Ao Hospital Amadora-Sintra ainda não chegou nenhum caso destes. «Há doentes mais velhas mas são casos mais crónicos ou anorexias secundárias a outras situações», mas a «nível nacional e, principalmente, a nível mundial estão descritos cada vez mais casos de anorexia nervosa diagnosticada em doentes a partir dos 40 e 50 anos».
Mafalda Miranda aponta como razões para o aparecimento destes casos «as pressões sociais, a modificação do papel da mulher, que deixou de ser a dona de casa para ter um papel mais activo, e o aumento da esperança de vida». «As mulheres querem ser avós belas e esbeltas», comentou a psicóloga, adiantando que, apesar de ser mais raro, também há casos de homens mais velhos com este problema.
O aumento do número de casos de distúrbios alimentares em mulheres acima dos 50 anos levou a Associação Britânica de Especialistas em Dieta (BDA) a lançar recentemente um alerta na Grã-Bretanha, afirmando que estes casos representam já 10 por cento das pacientes com doenças do comportamento alimentar tratadas no país.
Fonte: IOL Diário
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